O Fluminense Football Club deu um passo significativo em direção à modernização de sua gestão financeira ao apresentar, nesta segunda-feira, ao Conselho Deliberativo, a proposta recebida da Lazuli Partners e LZ Sports para a criação da sua futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A proposta, ambiciosa e inédita no cenário do futebol brasileiro, prevê um investimento total de quase R$ 7 bilhões ao longo de dez anos, com um modelo que promete uma nova abordagem na gestão do clube, diferente das adotadas por equipes como Botafogo e Vasco, envolvendo diretamente investidores que são torcedores do Fluminense.
Detalhes do investimento no futebol
O plano de investimento será dividido em várias etapas. Inicialmente, a LZ Sports começará com um aporte de R$ 500 milhões, direcionados principalmente para o pagamento de dívidas existentes e a reestruturação do capital do clube. Além disso, os recursos serão aplicados em melhorias no futebol profissional, nas categorias de base e nas estruturas do centro de treinamento Carlos Castilho e de Xerém. O comprometimento total, no entanto, chega a R$ 6,4 bilhões em uma década, que incluirá despesas com a folha salarial do elenco e comissão técnica, aquisição de novos atletas, além de royalties para a associação, conforme detalhado no planejamento financeiro do clube.
A distribuição dos investimentos será a seguinte:
- Folha salarial (elenco e comissão técnica) – R$ 4,7 bilhões
- Aquisição de atletas – R$ 1,1 bilhão
- Desenvolvimento e formação de jogadores – R$ 359 milhões
- Melhoria do CT e de Xerém – R$ 84 milhões
- Royalties para a Associação – R$ 143 milhões
O plano também prevê um aumento imediato de 30% na folha salarial do clube, elevando o gasto mensal de R$ 19 milhões para aproximadamente R$ 25 milhões em 2026. Esse modelo foi inspirado em práticas de clubes da Premier League, adaptadas para a realidade brasileira.
Perfil dos investidores
O modelo de gestão da SAF será sustentado por mais de 40 investidores milionários, todos torcedores do Fluminense, que estarão adquirindo cotas da futura empresa responsável pelo futebol do clube. Destaque entre os investidores inclui nomes conhecidos do setor financeiro e empresarial, como André Esteves, do BTG Pactual, e Thiago De Luca, da Frescatto. É importante notar que a estrutura foi projetada para que não exista um investidor majoritário, garantindo assim um equilíbrio nas decisões. Entre as famílias investidoras participando do projeto estão:
- Família Almeida Braga — ligada a seguradoras
- Família Klabin — ligada a empresas de papel e celulose
- Família De Luca — ligada à Frescatto
- Família Zitelmann — membro do comitê executivo da BTG Pactual
- Família Esteves — também do BTG Pactual
- Entre outras famílias reconhecidas no mercado
Aprovação e prospecção futura
A proposta para a criação da SAF precisará passar pela Assembleia Geral do clube, após a deliberação do Conselho.Deliberativo. Segundo o vice-presidente Mattheus Montenegro, a votação não ocorrerá antes das eleições presidenciais, previstas para acontecer entre a segunda quinzena de novembro e a primeira de dezembro deste ano, com a intenção de assegurar que todos os associados possam se manifestar e entender o impacto da proposta.
Caso aprovada, a SAF assumirá o controle das atividades do futebol masculino, feminino, das categorias de base e do futsal do Fluminense, marcando uma nova era para o clube que pretende se reerguer nas competições. A divisão societária entre a SAF e a associação será definida com base na dívida atual do clube, que é estimada em R$ 871 milhões, permitindo que o fundo gestor detenha aproximadamente 65,8% das ações.
Parceria com o BTG Pactual
A parceria com o BTG Pactual representa um esforço para captar investimentos e foi iniciada em março de 2022, possivelmente inspirada em modelos de sucesso de equipes esportivas na América do Norte. O Fluminense visa estabelecer um modelo que não apenas traga recursos financeiros, mas que também transforme a estrutura organizacional do clube, visando uma gestão mais profissional e transparente.
Com a proposta da SAF em discussão, os próximos meses serão cruciais para o futuro do Fluminense, que busca não apenas recuperar sua imagem no cenário esportivo, mas também garantir sustentabilidade e crescimento a longo prazo no competitivo ambiente do futebol brasileiro.