Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno da eleição presidencial em 26 de outubro de 2026, com 51,79% dos votos, e conquistou seu quarto mandato. A redução da abstenção, a queda dos votos brancos e nulos, a transferência de votos e erros do bolsonarismo foram apontados como fatores para a virada, segundo análise do videocast "Fora da Bolha", do jornal O Globo.
A abstenção caiu de 21% no primeiro turno para 19,2% no segundo, o menor patamar em 20 anos, de acordo com os dados apresentados. O número de eleitores ausentes passou de 33,4 milhões para 30,5 milhões, uma redução de 2,9 milhões de pessoas.
Com a diminuição da abstenção, o segundo turno registrou 4,7 milhões de votos válidos a mais que a primeira etapa. Os votos brancos e nulos também recuaram, de 5,98 milhões para 4,15 milhões, queda de 1,83 milhão.
A análise apontou ainda a transferência de votos de candidatos que não chegaram ao segundo turno e a conversão de parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro em apoiadores de Lula. Os candidatos derrotados no primeiro turno somavam cerca de 9 milhões de votos, segundo os participantes do programa.
Um levantamento citado pelo programa identificou 495 municípios onde o resultado mudou entre as disputas presidenciais de 2018, 2022 e o primeiro turno de 2026. Em Osasco, por exemplo, Flávio venceu na primeira etapa, mas Lula assumiu a liderança no segundo turno.
Flávio Bolsonaro perdeu votos em 939 municípios entre os dois turnos, e em 231 deles a queda resultou em uma virada favorável a Lula. O petista também venceu na cidade do Rio de Janeiro, a primeira vitória do PT na capital fluminense desde 2014, apesar da vantagem de Flávio no primeiro turno.
Os participantes também relacionaram o resultado à mobilização da esquerda nas ruas durante o segundo turno e à capacidade de articulação de Lula e do PT. Flávia Barbosa citou ainda o trabalho de Eduardo Paes e o desempenho de deputados federais e estaduais como fatores que contribuíram para a vitória de Lula no Rio.
Para Vera Magalhães, declarações feitas por Flávio no debate presidencial e outros episódios associados ao bolsonarismo podem ter influenciado eleitores. Ela mencionou relatos de agressões, episódios de discriminação e extremismo, a morte de um militante do PT em Santos e a promessa de flexibilização do acesso a armas.
Flávia Barbosa avaliou que a campanha petista deslocou o foco da avaliação do governo Lula para a imagem e as declarações de Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o receio de uma nova vitória da família Bolsonaro e as dúvidas de eleitores anti-Lula sobre um eventual retorno do bolsonarismo ao poder ajudaram a impulsionar a mobilização.
Fonte: O Globo