Bruno Ventura, um jovem entregador de 29 anos, perdeu a vida após complicações durante um tratamento de hemodiálise em São Gonçalo, Rio de Janeiro. A tragédia, que repercutiu profundamente na comunidade local e entre os familiares, gerou uma investigação policial que apura a possibilidade de homicídio culposo. O pai de Bruno, Márcio Luiz dos Santos, falou em um desabafo emocionante no Instituto Médico Legal de Tribobó, expressando sua dor e revolta.
O desenlace trágico de um jovem trabalhador
Bruno, que vivia em Maricá, estava internado em estado gravíssimo há 18 dias. Ele entrou para realizar o procedimento na clínica Nice Diálise, localizada no bairro São Miguel, mas, conforme relatado pela família, sofreu um grave acidente com ácido peracético, uma substância química utilizada para desinfetar equipamentos médicos. O ácido foi acidentalmente infundido durante a sessão de hemodiálise, resultando em hemorragia cerebral e edema, que o mantiveram em coma na UTI do Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto.
A doença se agravou rapidamente, e Bruno não resistiu. Durante o desabafo, o pai relembrou o caráter gentil e alegre do filho, que era conhecido por seu sorriso contagiante. “Ele sempre entrava e saia bem da clínica. Não merecia esse fim”, lamentou Márcio.
Investigação e possíveis culpados
A Polícia Civil do Rio de Janeiro já abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da morte de Bruno. O caso, que inicialmente era tratado como lesão corporal por imperícia, agora será reclassificado devido ao falecimento do jovem. Os pais de Bruno relataram que o diretor técnico da clínica admitiu a falha, confirmando que o ácido estava presente na máquina que o atendia.
A investigação está em sua fase final, com a coleta de depoimentos de todos os envolvidos no procedimento de hemodiálise. O delegado responsável, Fábio Luiz Souza, afirmou que a equipe da clínica foi quase totalmente ouvida e os laudos médicos que apontam as causas da morte estão sendo analisados cuidadosamente.
Reações e repercussões sobre a tragédia
A Prefeitura de São Gonçalo disponibilizou apoio à família de Bruno e confirmou a triste notícia. “O município se solidariza com a família do rapaz e se coloca à disposição neste momento de dor”, informou. Além disso, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) determinou que a clínica Nice Diálise apresentasse um cronograma de melhorias em seus processos e capacitações.
Os relatos sobre os cuidados inadequados durante o tratamento levantam questões sobre as condições de operação de clínicas de hemodiálise em todo o estado do Rio. O caso também pode gerar consequências legais para a clínica, que apresentava irregularidades, como um certificado de regularidade vencido desde 28 de junho de 2025, segundo o boletim de ocorrência.
O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) também está acompanhando a situação e abriu uma sindicância para investigar os fatos envoltos na morte de Bruno. A pressão pública sobre o caso aumentou, com familiares e amigos demandando não apenas justiça, mas também mudanças nos protocolos de segurança nas clínicas de diálise.
Reflexão sobre a segurança nas clínicas de hemodiálise
A morte de Bruno Ventura toca em um ponto sensível sobre a segurança dos pacientes em tratamentos de saúde. Muitas vezes, situações semelhantes não recebem a devida atenção, mas é crucial que medidas sejam tomadas para prevenir tragédias futuras. A sociedade espera que todas as clínicas de saúde, principalmente aquelas que lidam com tecnologias e substâncias perigosas, operem sob altos padrões de segurança e qualidade.
Enquanto a investigação prossegue, a família de Bruno enfrenta o luto e busca formas de honrar a memória do jovem que, com sua vivacidade, conquistou o carinho de todos ao seu redor. Resta a esperança de que sua história possa resultar em mudanças reais e a responsabilização dos envolvidos, para que outros não passem pelo mesmo sofrimento.