Três meses após ser exonerado do comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), o coronel Aristheu de Goes Lopes foi nomeado superintendente de Gestão Integrada da Polícia Militar do Rio de Janeiro. A nomeação foi oficializada no dia 1º de setembro e gerou diversas reações dentro da comunidade e entre os representantes da segurança pública.
Controvérsia envolvendo a exoneração
O oficial foi afastado de suas funções em junho, após a morte de Herus Guimarães Mendes, de 24 anos, durante uma operação policial no Morro Santo Amaro, localizado na Zona Sul do Rio. Herus, que trabalhava como office boy, estava participando de uma tradicional festa junina na comunidade, um evento realizado há mais de 30 anos.
Moradores locais relataram que os policiais entraram na comunidade atirando, momento em que a quadrilha junina estava em andamento. Entretanto, um policial militar, em depoimento à Polícia Civil, disse que reagiu a disparos supostamente feitos por traficantes. Em um primeiro momento, a Polícia Militar negou que seus agentes tivessem utilizado armas durante a operação.
No dia seguinte à ocorrência que resultou na morte de Herus, o governador Cláudio Castro determinou o afastamento de 12 policiais envolvidos na ação, incluindo o coronel Aristheu e o comandante do Comando de Operações Especiais (COE), coronel André Luiz de Souza Batista.
Papel do novo cargo na Polícia Militar
Na sua nova função como superintendente de Gestão Integrada, Aristheu de Goes Lopes será responsável por coordenar informações de diferentes órgãos, como saúde e trânsito, que chegam ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). A superintendência tem a função de monitorar incidentes em tempo real, apoiar decisões em situações de crise e avaliar os serviços prestados pelo número de emergência 190.
A Polícia Militar do Rio informou, em nota, que “não há qualquer determinação judicial que impeça o referido oficial da ativa de exercer a função policial” e que o inquérito policial militar sobre o caso da operação foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Militar.
Críticas da comunidade e do Ministério Público
A nomeação de Aristheu gerou uma onda de críticas, principalmente da família e amigos de Herus. Fernando Guimarães, pai do jovem, expressou sua indignação: “Ficamos surpresos, indignados, bastante chateados. A comunidade Santo Amaro repudia essa nomeação. Ninguém do governo nos procurou, mas uma nomeação eles fazem antes do final do inquérito.”
Essa resistência da comunidade é compreensível, considerando o impacto que ocorrências como a morte de Herus têm em áreas vulneráveis do Rio de Janeiro. A sensação de impunidade e a falta de diálogo entre as autoridades e os moradores geram ainda mais desconfiança nas ações da polícia.
O Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública do Ministério Público também se manifestou sobre o assunto. Informou que já recebeu o Inquérito Policial Militar relacionado ao caso do Morro Santo Amaro no dia 20 de agosto e que, além deste, existem outras duas investigações em andamento sobre a operação que resultou na morte de Herus.
Desafios da segurança pública no Rio de Janeiro
A contratação de Aristheu ocorre em um momento delicado para a segurança pública no Rio de Janeiro, um estado que lida constantemente com questões relacionadas a violência e abusos durante operações policiais. Estabelecer um diálogo aberto e transparente com as comunidades é essencial para a construção de uma estratégia eficiente de segurança, que respeite os direitos dos cidadãos e evite tragédias como a que resultou na morte de Herus.
Enquanto Aristheu inicia sua nova função, a expectativa é que ele adote uma postura mais colaborativa e Proativa em relação à comunidade, visando reduzir as tensões e construir um ambiente de confiança entre a polícia e os cidadãos que serve. O trabalho conjunto entre os órgãos de segurança e a comunidade é fundamental para o progresso e a melhoria da qualidade de vida no Rio de Janeiro.