O universo do tênis é marcado por altos e baixos, e a confiança é uma peça chave nesse quebra-cabeça. Bia Haddad, que já foi uma top 10 do ranking mundial, é uma prova viva de que a superação é possível, mesmo em momentos de adversidade. Após uma temporada irregular com 24 derrotas e 13 vitórias, a número 27 do mundo conseguiu dar a volta por cima ao alcançar as oitavas de final do US Open. Agora, a brasileira se prepara para enfrentar a italiana Miriana Tona, na noite de hoje, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, em sua estreia no inédito WTA 250 do SP Open.
A busca pela reconquista da confiança
A trajetória recente de Bia Haddad não foi fácil. Ela enfrentou um início de 2025 devastador, acumulando nove derrotas consecutivas. Surpreendentemente, muitas dessas derrotas ocorreram para adversárias de ranking inferior, algo que afetou sua confiança em quadra. Conhecida pela alegria e leveza, a tenista passou a manifestar insegurança e desânimo após eliminações precoces.
As movimentações no comando técnico também geraram incertezas. O treinador Rafael Paciaroni, que está ao seu lado desde setembro de 2020, recebeu questionamentos sobre sua permanência na equipe, especialmente após a breve colaboração do francês Maxime Tchoutakian, que se desligou da comissão ainda em março, após o WTA 1000 de Miami.
Perseverança e evolução
Mesmo diante das dificuldades, Bia sempre enfatizava sua satisfação com os treinos, um discurso que, no entanto, se tornava menos convincente diante da falta de resultados em competições. O que parecia uma desculpa sem importância, na verdade, escondia uma verdade maior: a falta de confiança a impediu de transmitir a evolução técnica que estava experimentando. Com trabalho e resiliência, a atleta começou a eliminar as inseguranças que a atormentavam, permitindo-se resgatar habilidades que a tornaram uma jogadora reconhecida.
Além de uma resiliência mental renovada, a evolução em seu jogo demonstrou resultados. Bia mostrou uma nova confiança em quadra, utilizando seu potente saque canhoto e conseguindo uma maior eficácia no primeiro serviço, além de dominar os pontos com seu forte forehand. Essa mudança a levou a um desempenho notável: na vitória sobre a grega Maria Sakkari, ex-top 3 do ranking, Bia cometeu apenas sete erros não forçados — um indicativo claro de sua performance crescente.
Um novo desafio a caminho
No entanto, a derrota por 0/6 e 3/6 para a americana Amanda Anisimova, que está atualmente na quarta colocação do ranking, ressalta a necessidade de continuar evoluindo para se firmar entre as melhores. A próxima etapa dessa jornada é o SP Open, torneio que oferece uma nova oportunidade de brilhar em território nacional.
Inspirando novas gerações
Além de sua busca pela vitória, Bia Haddad representa uma fonte de inspiração para jovens tenistas brasileiros, como Nauhany Silva e Victoria Barros, ambas com apenas 15 anos e que já receberam convites para participar da chave principal do torneio. Em declarações recentes, Bia comentou sobre a importância do torneio: "Esse evento pode influenciar positivamente o tênis brasileiro. O esporte está crescendo no país e pode trazer uma conexão mais próxima com crianças e adolescentes que sonham em jogar em um nível alto".
Como a tenista número um do Brasil, ela reconhece a responsabilidade que carrega e seu potencial de representar as novas gerações. A expectativa é alta para o SP Open, onde, além de competir, Bia busca conquistar seu primeiro título da temporada em casa, finalizando um ciclo em que a confiança se recuperou exatamente no momento certo.
Bia Haddad, após o sucesso no US Open, agora está pronta para enfrentar novos desafios e continuar seu caminho de sucesso no tênis. A torcida é grande, e a esperança renasce entre os fãs, que aguardam ansiosos por mais vitórias.