Brasil, 31 de agosto de 2025
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Reintrodução do latim no ensino fundamental reacende debate cultural

O prefácio do cardeal Matteo Zuppi destaca a reintrodução do latim nas escolas italianas como um símbolo cultural e identitário.

No contexto da crescente discussão sobre a educação e preservação cultural, o cardeal Matteo Maria Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana, publicou um prefácio no livro “Beleza antiga e sempre nova. O latim no mundo de hoje”, de Francesco Lepore, que se tornou um marco no debate acerca da reintrodução do latim no ensino fundamental na Itália. A obra foi lançada em 29 de agosto pela Editora Castellvecchi e está disponível nas livrarias italianas.

O latim e sua importância na educação contemporânea

O cardeal Zuppi enfatiza que o latim, após anos de descaso, retorna ao foco da educação, em particular na Itália, onde sua reintrodução no currículo escolar foi anunciada neste ano de 2025. Ele mesmo fez parte de uma geração que teve contato com a língua clássica em sua formação, antes de sua exclusão em 1977. Essa experiência pessoal do cardeal ilustra a importância da língua na formação de valores e na construção de identidade cultural.

Segundo Zuppi, o latim não deve ser visto como uma “bandeira identitária” ou uma “questão ideológica”, como avisou o ex-reitor da Universidade de Bolonha, Ivano Dionigi. Na verdade, a língua é uma riqueza compartilhada que permite uma compreensão mais profunda do italiano e de outras línguas europeias, sendo parte essencial da identidade cultural europeia há mais de dois mil anos.

Identidade cultural e diálogo entre culturas

Francesco Lepore, no seu livro, elucida que a verdadeira identidade é a consciência do que somos, o que facilita a abertura ao diálogo com outras culturas. O reconhecimento do latim como a língua da civilização europeia é essencial, não só para celebrar a história, mas para evitar a exclusividade e a amnésia cultural. Ao contrário, ele argumenta que o latim deve conviver e colaborar com outras línguas e culturas, como o grego, o hebraico e o árabe, todas contribuindo para a riqueza cultural da humanidade.

O latim na liturgia da Igreja

Um dos pontos abordados por Zuppi e Lepore é a continuidade do uso do latim na Igreja. O cardeal afirma que a língua é oficialmente utilizada pela Igreja Católica, conforme reiterado pelos papas desde o Concílio Vaticano II. O livro de Lepore menciona uma parte que questiona se a relação da Igreja com o latim é uma “história de amor terminada”. De acordo com Lepore, as alegações na mídia sobre a abolição da língua na liturgia são equivocadas e resultam de mal-entendidos e confusões sobre a língua e o rito romano.

Além disso, ele destaca as iniciativas dos textos da Seção Latina da Secretaria de Estado para atualizar o latim, criando novos termos e significados que se encaixam em realidades contemporâneas.

Um renascimento para o latim

Embora muitos possam pensar que o latim é uma língua morta, Zuppi argumenta o contrário, observando que a língua está “mais viva do que nunca”. A prova disso é a crescente produção de conteúdos em latim, incluindo programas de rádio e colunas em periódicos que comentam eventos atuais, como a de Lepore na “Linkiesta”, que utiliza o latim para discutir questões contemporâneas.

O livro “Beleza antiga e sempre nova” explora esta dualidade do latim: uma língua rica em história e beleza, que pode enriquecer a compreensão cultural atual. A obra é um convite a redescobrir a beleza do latim e suas contribuições perenes à civilização, evocando um simbolismo que ressoa até nos lemas da União Europeia, como “In varietate concordia”, que reflete a harmonia na diversidade.

Com as novas gerações tendo a oportunidade de estudar o latim novamente, esperamos que essa ressurreição da língua inspire um maior apreço pelas raízes culturais da Europa e promova um diálogo mais profundo entre diferentes expressões culturais no mundo contemporâneo.

A publicação de Zuppi e as reflexões de Lepore sobre a importância do latim visam resgatar uma parte essencial da identidade europeia e reforçar a conexão entre passado, presente e futuro. O latim não é apenas um vestígio histórico; ele é parte de uma conversa contínua sobre identidade e cultura que ainda está em andamento.

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