Brasil, 31 de agosto de 2025
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O impacto da inteligência artificial no mercado de arte e tecnologia

Profissionais de arte e tecnologia relatam como a IA impacta seus trabalhos e a preferência por um toque humano.

A crescente presença da inteligência artificial (IA) em diferentes setores tem gerado reações mistas entre artistas e profissionais da tecnologia. Embora a IA possa oferecer soluções rápidas e baratas, muitos criadores defendem a importância de um toque humano em seus projetos, destacando as falhas e limitações das ferramentas automatizadas.

A controvérsia em torno da arte gerada por IA

No último mês, a Guess se viu no centro de uma polêmica após apresentar um modelo gerado por IA em um anúncio da Vogue. Essa escolha resultou em um clamor online, refletindo a descontentamento do público diante da utilização de IA em contextos onde a autenticidade é esperada.

Segundo Todd Van Linda, ilustrador e artista de quadrinhos da Flórida, a arte criada por IA é facilmente identificável, seja pelas inconsistências nos detalhes, seja pelo efeito plástico que caracteriza as imagens geradas por essas ferramentas. “Consigo olhar para uma obra e não apenas identificar que é IA, mas também dizer que descritor foi usado para gerá-la”, afirma. Van Linda destaca que autores independentes, em particular, preferem evitar a arte gerada por IA, pois ela tende a ser “formulaica” e sem a personalidade que desejam para suas histórias.

O desafio de transmitir emoções através da arte

Os clientes que procuram Van Linda enfrentam o desafio de transmitir a essência de suas narrativas. Muitas vezes, eles fornecem apenas uma ideia aproximada do que desejam, e é responsabilidade do artista interpretar essas preferências e criar uma obra que evoca a emoção desejada. “Muitos me procuram para ‘consertar’ suas artes geradas por IA, mas eu estou evitando esses projetos porque percebi que esses clientes geralmente não estão dispostos a pagar o que considero justo pelo meu trabalho”, explica o artista.

Impactos nas profissões técnicas

A questão se estende também a outras áreas, como a tecnologia, onde os trabalhadores começam a sentir os efeitos da economia baseada em IA. Harsh Kumar, um desenvolvedor de aplicativos e sites da Índia, relata que muitos de seus clientes afirmam já ter investido muito de seu orçamento em ferramentas de “vibe coding”, que não atendem às suas necessidades. Entretanto, alguns estão percebendo que contratar um desenvolvedor humano pode economizar tempo e evitar problemas causados por tentativas frustradas de soluções automatizadas.

Os projetos de Kumar incluíram desde a correção de chatbots de suporte alimentados por IA que forneciam respostas imprecisas e expunham detalhes sensíveis do sistema, até a reconstrução de sistemas de recomendação de conteúdo que frequentemente falhavam e ofereciam recomendações irrelevantes. “A IA pode aumentar a produtividade, mas não pode substituir totalmente os humanos. Estou confiante de que humanos ainda serão necessários para projetos de longo prazo”, afirma Kumar. “No final das contas, foram os humanos que desenvolveram a IA.”

O valor do toque humano em um mundo digital

O debate sobre a IA e seu papel nos mercados da arte e tecnologia está longe de terminar. Tanto artistas quanto desenvolvedores estão se adaptando a um ambiente em que as soluções automatizadas e rápidas podem parecer atraentes, mas não substituem o valor da criatividade, da emoção e da experiência humana. Afinal, o que muitos ainda desejam é o diferencial que só um ser humano pode proporcionar em seus projetos, seja na ilustração de um livro ou na criação de um aplicativo eficaz.

Enquanto isso, os backlashs e as reclamações demonstram que consumidores e criadores continuam a buscar autenticidade e conexão emocional, características que são difíceis de capturar em um mundo dominado por algoritmos e inteligência artificial.

Assim, a evolução das tecnologias relacionadas à IA continuará a desafiar a maneira como interagimos com a arte e a tecnologia, convidando todos nós a refletir sobre o que realmente valorizamos em nossa cultura criativa e digital.

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