Na era das redes sociais e das ideias inovadoras, a história de Daniel Jackson, um australiano de 20 anos que se autodenomina presidente da Free Republic of Verdis, chama a atenção. Em uma videoconferência, Jackson aparece sentado em uma mesa com a bandeira do que seria seu país à direita e um banner com o nome da república ao fundo, tudo isso a partir de sua casa humilde em Dover, no sul da Inglaterra.
A criação da Free Republic of Verdis
A Free Republic of Verdis, segundo Jackson, foi fundada em 2019 e se localiza em uma pequena faixa de floresta não habitada na fronteira entre Croácia e Sérvia, a mais de 1.600 quilômetros de distância de onde ele vive atualmente. Conhecida como “Pocket 3”, essa área tem aproximadamente o tamanho do Vaticano e ficou sem reivindicações após o fim da Guerra da Independência da Croácia em 1995.
Jackson afirma ser o legítimo proprietário e governante do local devido a uma disputa histórica de fronteira. “Verdis era uma ideia que surgiu quando eu tinha cerca de 14 anos, mas ganhou força, e de fato criamos o estado após eu completar 18 anos”, revela. Inspirado por um grupo de amigos envolvidos em trabalhos humanitários na Ucrânia, ele desejava estabelecer um lugar que pudesse ir além do auxílio a um único país.
Objetivos humanitários e desafios
O jovem presidente expressa um sonho altruísta para a Free Republic of Verdis: “Queremos ser um estado neutro, um centro para ONGs. Temos uma vasta experiência em ações humanitárias”, destaca Jackson. Contudo, a realidade é complexa: a Croácia e a Sérvia não reconhecem a existência de Verdis, e as autoridades croatas mostraram-se hostis após tentativas de os colonos se estabelecera<.strong>rem na região.
“Em outubro de 2023, começamos a estabelecer uma colônia, mas poucos dias depois as autoridades croatas destruíram aquilo que havíamos construído”, relata ele, informando que foi banido permanentemente da Croácia e que outros colonos estão impedidos de entrar no país por três meses.
Jackson menciona que tinha visitado Verdis várias vezes antes da intervenção das autoridades croatas e havia realizado trabalhos cadastrais e de levantamento no terreno. Ele até plantou uma bandeira na área, como um sinal de reivindicação territorial.
O jovem encontra inspiração na experiência de Liberland, outro pedaço de terra não reivindicado entre Croácia e Sérvia que foi declarado um microestado em 2015 pelo político tcheco Vít Jedlička. “Embora compartilhe princípios com Liberland, quero que a Free Republic of Verdis se torne uma verdadeira colônia, guiada por princípios nobres”, afirma.
Documentos e reconhecimento internacional
Atualmente, a República de Verdis existe apenas em um site onde pessoas podem se candidatar à cidadania. Até agora, Jackson afirma que 15.000 pessoas se inscreveram e 400 já receberam passaportes e identificações físicas. “Apesar de legítimo ou não, já houve relatos de cruzamento de fronteiras usando documentos de Verdis”, diz ele com um sorriso, embora aclame que não incentivará essas travessias até que algum país reconheça oficialmente os documentos.
Embora seu sonho esteja longe de se concretizar completamente, Jackson continua a viver “em exílio” em Dover, onde passa seu tempo com amigos e jogando vídeo game. Ele, junto com ministros e oficiais de sua república, planeja protestar em frente à embaixada da Croácia em Londres, seguido de uma sessão de integração em um café local.
A vida de um jovem presidente
“Enquanto sou o presidente de Verdis, eu ainda vivo como qualquer outro jovem de 20 anos”, conclui Jackson, trazendo um tom humano à sua narrativa e adicionando um toque de normalidade a uma história que, à primeira vista, parece uma fantasia. O que virá a seguir para a Free Republic of Verdis é incerto, mas a determinação de Daniel Jackson em transformar sua visão em realidade é evidente.