Brasil, 31 de agosto de 2025
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Israel mata primeiro-ministro do governo Houthi no Iémen em ataque aéreo

O ataque aéreo israelense em Sanaa resultou na morte do primeiro-ministro Houthi, aumentando a tensão no conflito do Iémen.

No último sábado, a Houthi anunciou que um ataque aéreo israelense resultou na morte de Ahmed al-Rahawi, primeiro-ministro do governo controlado pelo grupo no Iémen. Essa ação marca um novo ponto de virada no conflito, onde al-Rahawi se torna o oficial mais alto do grupo a ser morto na campanha conjunta de Israel e Estados Unidos contra os rebeldes apoiados pelo Irã, exacerbando ainda mais a tensão na região.

Contexto do ataque e suas consequências

O ataque ocorreu durante um trabalho rotineiro do governo para avaliar suas atividades e desempenho ao longo do último ano. Al-Rahawi foi alvo de um bombardeio que atingiu um vilarejo em Sanaa, levando à morte de outros ministros e ferindo diversos integrantes do governo Houthi. A precisão da ação foi confirmada pelo exército israelense, que se referiu ao alvo como um “regime terrorista Houthi”.

Na declaração, o exército israelense argumentou que a ação foi parte de sua estratégia de combater as “ações terroristas” do grupo. Este ataque se posiciona em um contexto mais amplo de retaliações entre os Houthis e Israel, especialmente na sequência da escalada de conflitos na Gaza.

Repercussões no governo e na população

O primeiro-ministro al-Rahawi, que era um aliado do ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, foi nomeado para o cargo em agosto de 2024, após os Houthis tomarem Sanaa e parte significativa do norte e centro do país em 2014. As consequências da morte de al-Rahawi são vistas como um sério revés para os rebeldes, conforme analisado por especialistas, que apontam que isso representa uma mudança na estratégia israelense, que passou de ataques à infraestrutura do grupo para a eliminação de seus líderes.

Analistas como Ahmed Nagi, do Crisis Group International, destacam a gravidade desse novo foco de Israel. O ataque não apenas remove um líder chave, mas também coloca em risco a estrutura de comando do grupo rebelde, que pode resultar em desestabilização na liderança e na logística operacional dos Houthis.

O impacto no Iémen e a situação humanitária

Essa escalada de violência em um dos países mais empobrecidos do mundo levanta sérias preocupações sobre a situação humanitária no Iémen. A população já enfrenta dificuldades extremas devido a anos de guerra civil e a intervenções internacionais. Os Houthis, por sua vez, têm justificado suas ações, incluindo ataques a navios no Mar Vermelho, como uma forma de apoiar o povo palestino e responder à agressão israelense nas regiões próximas ao Gaza.

Além disso, os ataques realizados por Estados Unidos e Israel já resultaram na morte de dezenas de civis no Iémen. Em um ataque realizado em abril, por exemplo, um bombardeio americano atingiu uma prisão que detinha migrantes africanos, resultando em pelo menos 68 mortes e ferimentos em outros 47.

Futuro incerto para o Iémen

Com a morte do primeiro-ministro Houthi e o fortalecimento das táticas israelenses, o futuro do Iémen se torna ainda mais incerto. As ações militares em curso parecem indicar que a comunidade internacional precisa reavaliar suas abordagens em relação à crise humanitária e à segurança global. Um novo acordo havido em maio pelas administrações anteriores nos EUA, conforme reportado, prometia uma redução nos ataques em troca do fim das ofensivas dos Houthis contra navios, mas tal entendimento enfrenta desafios significativos de execução e respeito pelas partes envolvidas.

Fica evidente que os acontecimentos recentes no Iémen não são apenas uma reação local a um cenário regional mais amplo, mas também um reflexo das complexas dinâmicas de poder que envolvem laços históricos, interesses estratégicos, e uma luta pela sobrevivência em um dos conflitos mais prolongados da era contemporânea.

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