Um incêndio devastador em uma casa de recuperação de dependentes químicos deixou cinco mortos e 11 feridos na manhã do último domingo, dia 31, em Paranoá, no Distrito Federal. A clínica Liberta-se, que não possuía alvará de funcionamento nem a autorização do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), foi palco dessa tragédia, levantando questões graves sobre a segurança das unidades de atendimento a dependentes químicos na região.
Funcionamento irregular da clínica
O diretor e proprietário da clínica, Douglas Costa de Oliveira Ramos, admitiu que o local operava sem as devidas autorizações há cerca de cinco meses. Após prestar depoimento, ele foi liberado, mas as investigações continuam a cargo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). De acordo com internos sobreviventes, a estrutura da clínica deixava muito a desejar em termos de segurança. Um dos depoimentos revelou que não havia saídas de emergência adequadas, e a casa estava frequentemente trancada, o que dificultou a evacuação durante o incêndio.
Relatos dos sobreviventes
Um interno, que não quis se identificar, compartilhou sua experiência angustiante: “Vi meus amigos correndo e pegando fogo. A gente sem conseguir fazer nada, porque as grades são muito fortes e nenhuma tinha como o ser humano abrir sem uma ferramenta. Era uma tragédia anunciada, infelizmente perdi 5 amigos”, relatou à TV Globo. Essas declarações levantam preocupações sobre a ética e as práticas de segurança em estabelecimentos dedicados à reabilitação de dependentes químicos.
Causas do incêndio e atuação dos bombeiros
O incêndio teve início na sede da clínica, onde estavam aproximadamente 20 internos, enquanto outros 26 se encontravam em dormitórios externos. Até o momento, as causas do incêndio são desconhecidas. Quando os bombeiros chegaram ao local, encontraram grandes chamas e uma densa fumaça. Utilizando mangueiras com espuma, conseguiram controlar o fogo, mas apenas após ser encontrado o quadro trágico: cinco corpos carbonizados de homens, cujas identidades ainda não foram confirmadas, foram localizados na sede da clínica.
Vítimas e atendimento médico
As 11 vítimas restantes, que sofreram queimaduras e intoxicação por fumaça, foram prontamente evacuadas e atendidas em hospitais da região, incluindo as unidades do Paranoá, Asa Norte e Sobradinho. As idades das vítimas variavam entre 21 e 55 anos, refletindo a diversidade de pessoas que buscam tratamento em unidades de recuperação.
Infraestrutura inadequada
A investigação da PCDF revelou que a casa de recuperação estava trancada com cadeado, e que havia três extintores de incêndio vazios à disposição do local. Essas condições de segurança falhas foram enfatizadas como fatores críticos na resposta lenta ao incêndio. Com um conjunto de questões não atendidas, a segurança das vidas dentro dessas instituições foi colocada em risco, levando a essa perda trágica.
O que esperar a seguir?
O caso está sendo investigado pela 6ª Delegacia de Polícia do Paranoá, que busca esclarecer todos os fatores que contribuíram para essa tragédia. Enquanto isso, a população e as autoridades de saúde pública se veem obrigadas a reavaliar as normas de segurança e regulamentação para casas de recuperação de dependentes químicos, a fim de evitar que ocorrências semelhantes se repitam no futuro. Além disso, o CBMDF não se pronunciou sobre as pendências de autorização do funcionamento da clínica até a última atualização deste artigo, o que adiciona ainda mais complexidade ao caso.
Esse incêndio triste e devastador nos lembra da importância de vigilância e regulamentação adequada, especialmente em instituições que lidam com populações vulneráveis. A esperança agora é de que medidas rigorosas sejam implementadas para evitar que tragédias como essa voltem a acontecer.