Durante um encontro com estudantes da Universidade Católica do Chile, o arcebispo de Santiago, Cardeal Fernando Chomali, abordou o fenômeno do cancelamento e a necessidade de promover a humildade em tempos de desconfiança e agressividade.
Diálogo como ferramenta de transformação e reconstrução
No evento realizado no campus San Joaquín, o prelado enfatizou que o diálogo não significa renunciar às próprias convicções, mas sim compreender os outros a partir de suas próprias histórias e contextos. Segundo ele, “quando paramos de ouvir, também paramos de aprender. O diálogo começa quando reconhecemos que o outro tem algo a nos dizer que pode enriquecer nossas vidas”.
Chomali ressaltou que atualmente parece não haver espaço para erros ou perdão, o que invisibiliza o próximo. “O desafio é sair de nós mesmos, reconhecer a dignidade da pessoa e abraçar a humildade como forma de resolver conflitos”, afirmou.
Histórias de lives pessoais de cancelamento
Reforma de igrejas e conflitos sociais
O cardeal compartilhou experiências de suas ações na Arquidiocese de Concepción, onde enfrentou situações que ilustram a cultura do cancelamento. Uma delas envolve um projeto de lavanderia para jovens com síndrome de Down, que, apesar do impacto positivo, gerou críticas e insultos na internet por parte de uma proprietária de lavanderia próxima. “Propus que ela empregasse um jovem com síndrome de Down, mas ela se recusou. Isso mostrou que conflitos muitas vezes representam conversas que nunca aconteceram”, observou.
Direito ao trabalho e estigmatização
Outra história importante foi sobre um indígena mapuche em greve de fome, que foi autorizado a sair da prisão para trabalhar, mas enfrentou rejeição e discriminação ao procurar emprego. Chomali constatou que seu gesto de dar uma oportunidade foi visto como uma “cancelamento” na mídia, ao aceitar um ex-detento. “Isso revela que perdemos a confiança na lei e na capacidade de mudança das pessoas”, refletiu.
Aprendizado e provocação aos jovens
O arcebispo também aconselhou os jovens a estudarem, pois “ignorância é fonte de fanatismo” e quem busca conhecimento é mais capaz de navegar no diálogo e na nuance. Ele alertou que a violência se manifesta de várias formas, inclusive online, e que a humildade deve estar sempre presente na busca pelo entendimento mútuo.
O impacto da cultura do cancelamento e o papel da mídia
Chomali ressaltou que hoje o julgamento não ocorre apenas na justiça, mas também nas redes sociais e na mídia, o que muitas vezes suspende o pensamento crítico. “Vimos artistas cancelados sem provas, apenas por rumores. É importante refletirmos sobre como nós também podemos cancelar o próximo na nossa rotina”, disse.
Perspectivas para o futuro
Para o cardeal, é urgente que cada um comece a mudar suas próprias atitudes para transformar a forma como se relaciona com o outro. “Se conseguirmos olhar para nós mesmos, talvez melhoremos a forma de dialogar e evitar essa lógica destrutiva que prejudica todos”, concluiu.
Esta notícia foi originalmente publicada pela ACI Prensa e adaptada pela CNA. Para mais informações, acesse a matéria completa.