O livro “Capitalismo da atenção”, do jornalista Chris Hayes, chega ao Brasil e revela como as plataformas digitais exploram a nossa capacidade de foco para lucrar. A obra, que liderou as vendas do New York Times por cinco semanas consecutivas, destaca a importância desse recurso no cenário atual, marcado por uma intensa disputa pelo tempo e atenção do usuário.
Regulação e novos hábitos na era digital
Segundo reportagens recentes, o projeto de regulação econômica das big techs no Brasil mira empresas com faturamento superior a R$ 5 bilhões anuais, incluindo gigantes como Apple, Amazon e Meta (O Globo). Além disso, os ganhos dessas companhias no Brasil crescem impulsionados por streaming e gastos com inteligência artificial (Outro artigo).
Autor de uma lista de títulos recomendados no verão do Hemisfério Norte, Obama incluiu “Capitalismo da atenção”, chamando atenção para como as redes sociais e a economia de atenção distorceram nossa democracia e vidas. Hayes explica que esse capitalismo captura interesses sem consentimento, visando sua monetização, uma dinâmica que impacta nosso modo de pensar, relacionar-se e atuar na sociedade.
A manipulação da atenção e seus perigos
Hayes argumenta que a busca incansável pelo foco involuntário das pessoas leva à desumanização, semelhante ao impacto do industrial sobre os corpos. Essa estratégia aumenta emoções negativas, como ódio e medo, que são automaticamente ativadas nas redes sociais. O autor critica o uso de algoritmos persuasivos que prejudicam a saúde mental e ideológica dos usuários, tornando-os vulneráveis a manipulações.
Na entrevista ao Valor Econômico, Hayes destacou que Donald Trump percebeu que “a atenção é o recurso mais importante da nossa era”, o que levou ao crescimento de uma política que recompensa candidatos dispostos a fazer qualquer coisa para chamar atenção, independentemente de valores. Essa lógica ameaça a essência da democracia, que precisa de atenção consciente, e não de cliques automáticos.
Impactos e reflexões finais
De acordo com Hayes, o capitalismo da atenção desumaniza mentes e molda comportamentos políticos. Sua análise atravessa referências como Marx, Orwell e Huxley, buscando compreender os perigos e também os possíveis caminhos para uma relação mais saudável com as tecnologias. O autor alerta que o reflexo dessas estratégias não é irreversível, dependendo de escolhas pessoais e políticas.
Para quem deseja aprofundar o tema, o livro oferece uma análise crítica e fundamentada sobre uma das maiores ameaças do século XXI: a perda da atenção em troca de lucros.
Fonte: O Globo