O setor de delivery de comida no Brasil enfrenta uma fase de intensa concorrência, com investimentos bilionários, disputas judiciais e estratégias de fidelização. Empresas como iFood, Keeta, 99Food e Rappi intensificam suas ações para conquistar e manter clientes, restaurantes e entregadores, em um mercado que deve dobrar de volume em cinco anos.
Guerra entre plataformas e estratégias de expansão
Atualmente, o mercado de delivery responde por até 30% do faturamento de bares e restaurantes, segundo a associação Abrasel. Para se manterem competitivas, as plataformas planejam investir cerca de R$ 14 bilhões nos próximos cinco anos, com quase R$ 10 bilhões apenas até o fim de 2026, focando em fidelização e expansão regional.
Um exemplo dessa disputa é o conflito judicial entre a 99Food, controlada pela chinesa Didi Chuxing, e a Keeta, subsidiária da gigante de delivery Meituan. A Keeta acusa a adversária de celebrar acordos de exclusividade proibidos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), gastando até R$ 900 milhões para garantir contratos com restaurantes.
Diversificação e novos modelos de negócios no mercado de delivery
Ampliação de investimentos e expansão geográfica
A iFood anunciou planos de investir R$ 17 bilhões até 2026, com meta de atingir 80 milhões de usuários e expandir sua presença para 1.750 cidades. A estratégia inclui ações como pratos especiais, preços atrativos e marketing forte em cidades como Salvador, além de aumentar o atendimento em regiões de maior potencial.
Já a 99Food, que voltou ao mercado em 2023 após uma saída, investirá R$ 1 bilhão neste ano para chegar a cem cidades, com destaque para São Paulo, onde já possui 20 mil restaurantes cadastrados. A empresa busca fidelizar clientes oferecendo preços competitivos, incluindo isenção de comissões para alguns estabelecimentos.
Entrada de novos players e impacto na concorrência
A chinesa Keeta pretende investir R$ 5,6 bilhões ao longo de cinco anos, entrando em 15 regiões metropolitanas até 2026. Segundo Tony Qiu, CEO da Keeta no Brasil, a meta é aumentar o número de usuários de delivery para 120 milhões, superando o Reino Unido na posição mundial.
Empresas brasileiras também se movimentam, como a UaiRango em Minas Gerais e a Aiqfome, do Grupo Magalu, que planeja passar de 700 para mil municípios, oferecendo além de comida, entregas de remédios, água e gás.
Conflitos, regulações e desafios do setor
As disputas legais e regulatórias marcam o setor atualmente. O Cade limitou, em 2023, os contratos de exclusividade do iFood, que tinha cerca de 80% do mercado. Este acordo, válido até 2027, proibiu cláusulas que impediam restaurantes de firmar contratos com outras plataformas e limitou o percentual de exclusividade e de restaurantes exclusivos em grandes cidades.
Em resposta, 99Food e Keeta travam batalhas judiciais e no Cade, acusando-se de práticas que podem prejudicar a livre concorrência. Além disso, há uma disputa por talentos, com empresas tentando atrair profissionais de forma estratégica.
Perspectivas futuras e impacto para o consumidor
Com mais concorrentes no mercado, o cenário deve favorecer preços menores, maior variedade e promoções mais atrativas para o consumidor. Segundo especialistas, a expansão do setor de delivery deve continuar acelerada, contribuindo para a transformação do cotidiano alimentar brasileiro.
Para o empresário Deco Pascoal, dono do bar Sabu, em Ipanema, a melhora na competitividade deve tornar o serviço mais acessível, com preços próximos aos praticados no balcão. Ele também destaca que taxas elevadas podem inviabilizar o serviço de entrega, o que reforça a importância de um mercado mais equilibrado.
Assim, a disputa entre gigantes e novos players promete definir o rumo do setor nos próximos anos, com muita inovação, desafios regulatórios e oportunidades de crescimento para empresas e consumidores.
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