O Deus de Jesus Cristo é o Emanuel, Deus Conosco, que vem armar sua tenda em nosso meio, participando de nossas alegrias e tristezas. Neste contexto, a mensagem de acolhimento e inclusão torna-se central na reflexão sobre a vida em comunidade, conforme podemos perceber na narrativa do Evangelho da XXVI Domingo do Tempo Comum, conforme relatado pelo Vatican News.
A reflexão sobre os convidados do festim
No Evangelho, Jesus está jantando na casa de importantes figuras da sociedade judaica. Durante essas refeições, Ele observa que muitos se esforçam para ocupar lugares de destaque, mais próximos do anfitrião. Aqui, Jesus utiliza este momento para apresentar uma mensagem que vai além das convenções sociais e de etiqueta, abordando a postura correta em relação ao Reino do Céu.
Ele começa a romper com uma visão conservadora sobre Deus e sobre os relacionamentos que Ele aprova. Para Jesus, não existe um Deus distante, e a adoração não deve se restringir a práticas de penitência e jejuns, mas sim se traduzir em uma vivência autêntica e próxima, onde Ele é visto como aquele que está conosco em todos os momentos.
A crítica ao tradicionalismo e a inclusão dos marginalizados
Uma das primeiras orientações que Jesus oferece diz respeito a quem deve ser convidado para os eventos sociais. Ele sugere que, em vez de chamar apenas amigos e parentes – aqueles que poderiam retribuir os convites – devemos olhar para os marginalizados: coxos, aleijados e excluídos. Essa mudança de enfoque é um convite à inclusão e parece ecoar a mensagem de que o nosso papel é acolher os que a sociedade frequentemente esquece.
Jesus se identifica com os marginalizados, como se vê no exemplo de Maria nas Bodas de Caná, onde ela percebe a falta de vinho porque estava atenta ao papel de servir, em vez de estar em um lugar de destaque. Essa comparação nos leva a questionar: onde estamos e com quem nos identificamos?
O acolhimento verdadeiro
O convite de Jesus à inclusão não se limita apenas a refeições formais, mas se estende a uma postura de vida. Ao questionar quem deve ser acolhido, somos desafiados a refletir sobre nossa própria disposição de abrir as portas de nossa vida e nosso coração: acolhemos apenas os que consideramos perfeitos e adequados ou estamos prontos para oferecer nosso espaço aos que vivem à margem?
Na visão judaica da época, acolher coxos, cegos e aleijados significava também acolher os pecadores, pois enfermidades e misérias eram muitas vezes vistas como resultado de pecados. Contudo, Jesus altera essa noção, propondo que nossa humanidade não deve ser medida por padrões de pureza ou perfeição, mas sim pela capacidade de amar e acolher. Alcoólatras, drogados, viciados, e muitos outros que enfrentam preconceitos devem encontrar em nós uma mão estendida.
A transformação do olhar
Estamos convidados a transformar nosso olhar e nossa posição social. Para isso, é necessário reconhecer que ser parte do Reino de Deus significa se colocar ao lado dos pobres e dos marginalizados. Que nossas práticas religiosas, como a participação na missa e a celebração eucarística, sejam reflexos de um coração que se identifica com cada irmão e irmã, independentemente de sua condição social.
Independentemente da frequência com que participamos de refeições partilhadas, é essencial que tenhamos um coração aberto, que abrace a todos e que busque fazer parte da vida dos que muitas vezes são deixados de lado. Essa é a essência do verdadeiro acolhimento, conforme ensinado por Jesus, e o que devemos viver diariamente em nossa relação com Deus e com o próximo.
Portanto, ao refletirmos sobre as palavras de Jesus, que possamos sempre buscar não apenas um lugar à mesa, mas o caminho do amor e da inclusão, transformando nosso entendimento sobre quem merece estar ao nosso lado e como podemos ser instrumentos de paz e alegria nas vidas alheias.
Ao final, que nós, assim como Jesus e sua Mãe, nos identifiquemos com os marginalizados, fazendo de nossa vida um sinal de acolhimento e amor.
Para mais reflexões, acesse Vatican News.