Brasil, 30 de agosto de 2025
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Reflexões pós-goleadas: o que dizem os técnicos do Brasileirão

A análise das entrevistas dos técnicos após goleadas no Brasileirão revela um padrão de reações diante das derrotas.

As goleadas do Campeonato Brasileiro se tornaram um tema recorrente nas rodas de conversa entre os torcedores e analistas de futebol. Após jogos humilhantes, o desafio para os técnicos não é apenas a estratégia para consertar as falhas em campo, mas também como lidar com a pressão e a cobrança da mídia. Nesse contexto, a recente pesquisa realizada sobre as entrevistas coletivas de quatro técnicos derrotados ilustra bem essa dinâmica, apresentando um verdadeiro manual involuntário de sobrevivência verbal.

Os quatro tons da derrota

Após a reedição das maiores humilhações do campeonato, os discursos dos técnicos mostram um roteiro bem definido que começa com pedidos de desculpas, seguido pela tentativa de “virar a página”, passando por uma dose de responsabilidade pessoal e culminando em explicações táticas. A abordagem varia de acordo com o estilo de cada treinador, mas as semelhanças são inegáveis. O português Renato Paiva, por exemplo, após a goleada do Fortaleza, demonstrou habilidade em gestão de pessoas.

“O jogo já fechou. Não dá para alterar. Aguentem agora a pancada. É dura, tem famílias em casa, tem amigos, tem filhos… Dorme e amanhã às 17h da tarde quero caras de ambição”, disse Paiva, enfatizando a necessidade de resiliência e foco no próximo desafio. Sua postura de cuidar da saúde mental da equipe é reveladora, mostrando que a compreensão emocional é tão vital quanto a tática.

Por outro lado, o técnico Fábio Carille, que sofreu uma derrota de 8 a 0 para o Flamengo no Maracanã, ofereceu uma confissão quase religiosa, assumindo total responsabilidade pelo resultado. “Antes de começar, quero pedir desculpas em nome de todo o grupo. Noite horrível, vergonhosa, onde todos nós perdemos”, declarou Carille, que não se esquivou de expressar a vergonha pela derrota, quase se despedindo durante a coletiva.

Esse tom de desespero contrastou com a abordagem mais pragmática de Fábio Matias, do Juventude, ao reconhecer que o Flamengo é um time forte, mas indicando que a forma como a derrota ocorreu era inaceitável. “Foi um jogo péssimo. Você não pode num jogo desse nível contra o Flamengo tomar três gols em 10 minutos, e dois de bola parada”, comentou Matias, propondo uma análiase fria da situação.

A fórmula comum da recuperação

Uma característica marcante nas entrevistas é a tentativa dos técnicos de rapidamente virar a página após a derrota. Seja através de termos como “colocar na gaveta”, utilizado por Paiva, ou a insistência de Matias de que “não dá tempo de lamentar, temos jogo decisivo”, esses profissionais tentam minimizar o impacto emocional da derrota. Cada um, à sua maneira, busca evitar que o vexame se transforme em uma narrativa que perdure e contamine o próximo jogo.

Além disso, o tópico da responsabilidade aparece como um ponto comum. Carille, Matias e Vojvoda afirmam que os “responsáveis somos nós”, um reconhecimento de que o fracasso em campo não pode ser apenas atribuído aos jogadores. Essa autocobrança, mesmo em tono de lamentação, também está sempre presente nas falas, revelando a cultura do futebol brasileiro em abraçar a culpa como parte do jogo.

A saída após uma goleada é muitas vezes pautada pela análise dos minutos iniciais, onde todos fazem questão de remarcar como os primeiros lapsos podem decidir o jogo. Carille lamentou que “com quatro minutos estava 2 a 0”, e Matias reforçou a ideia de que “três gols em dez minutos” mudaram completamente a dinâmica do jogo. Essa percepção dos primeiros momentos como determinantes não deixa de ser uma maneira de justificar partidas que se tornaram um naufrágio coletivo.

Por fim, o comportamento dos técnicos revela um contraste interessante entre a adrenalina do momento e a necessidade constante de transmitir firmeza e controle emocional. No fim, suas reações e discursos após derrotas se tornam padronizados, quase previsíveis, levando a crer que, diante do desastre, todos eles operam no “piloto automático”, buscando formulas que, repetidas tantas vezes, criam um verdadeiro manual do que dizer em entrevistas após sofrer goleadas.

Se algum dia você se encontrar nessa situação, lembre-se: um pedido de desculpas, um compromisso para seguir em frente, uma aceitação da responsabilidade e uma justificativa tática parecem ser os passos essenciais. E claro, sempre torcer para que ninguém pergunte como foram those três gols em dez minutos.

Depois de tantas surpresas e reviravoltas na atual temporada, o Brasileirão de 2025 já registra um aumento no número de supergoleadas, com o Vasco assumindo a liderança histórico em termos de gols marcados em partidas. Um belo exemplo do drama que é viver no mundo do futebol, onde a vitória e a derrota são jogadas lado a lado, e a resiliência é a chave para a sobrevivência no cargo de treinador.

Ranking das supergoleadas

  • 1º Vasco – 10
  • 2º Palmeiras – 9
  • 3º Flamengo – 8
  • 4º Internacional – 7
  • 5º Guarani – 6
  • 6º Atlético-MG, Cruzeiro, Fluminense, São Paulo – 5
  • 10º Botafogo, Corinthians, Goiás, Grêmio, Santos, Sport – 3
  • 17º Coritiba, Paysandu – 2
  • 19º América-MG, Athletico, Bahia, Campinense, Figueirense, Fortaleza, Nacional-AM, Náutico, Remo, Santa Cruz, Vitória – 1
PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes