Brasil, 30 de agosto de 2025
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Obras de duplicação do Anel Viário continuam, 15 anos após início

As obras do Anel Viário de Fortaleza seguem inacabadas após 15 anos, impactando trânsito e economia local.

As obras de duplicação do Anel Viário de Fortaleza, prometidas para serem concluídas em 2012, continuam a se arrastar, já somando 15 anos desde o início. O processo tem sido marcado por atrasos, mudanças nos consórcios responsáveis, e, principalmente, transtornos para os moradores e empresas da região. Vital para a logística e desenvolvimento econômico do Ceará, essa via se tornou um retrato da ineficiência nas obras públicas.

A importância estratégica do Anel Viário

O Quarto Anel Viário é uma extensão de 32 quilômetros que circunda Fortaleza, conectando a capital a várias rodovias estaduais e federais, incluindo a BR-116 e a BR-222. Esta via é crucial para o tráfego de cargas, ligando o Porto do Mucuripe ao Porto do Pecém, facilitando assim a exportação de produtos cearenses. Além disso, o Anel Viário serve como acesso à Central de Abastecimento do Ceará e aos distritos industriais de Maracanaú, onde operam mais de 500 empresas.

A obra de duplicação tem como objetivo construir uma nova pista de concreto ao lado da pista antiga, que permanece em asfalto. Apesar de a pista já estar duplicada, muitos trabalhos essenciais, como sinalização e construção de alças e retornos, ainda estão em andamento.

Atrasos e impactos econômicos

O custo da obra, inicialmente estimado em R$ 195 milhões, já chega a R$ 257 milhões. Atualmente, rumores indicam que o custo pode aumentar ainda mais, além de ter passado do controle do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para o Governo do Ceará. A mudança de responsabilidade não trouxe a agilidade que se esperava, e a obra já passou por três consórcios sem conclusão, com um quarto consórcio atualmente tentando finalizar o empreendimento.

Moradores próximos à via expressam descontentamento com a situação. Policarpo Ribeiro, um líder comunitário que reside na área desde 2008, comenta: “A expectativa era de que os acidentes diminuíssem, mas a realidade é que a antiga pista continua sem sinalização e iluminação, o que agrava a situação.” O Anel Viário registra frequentemente acidentes, muitos deles fatais, gerados pelas más condições da pista e pela ausência de sinalização.

Impactos na logística e no cotidiano

A situação não afeta apenas os motoristas, mas também os empresários da região. O presidente da Associação Empresarial das Indústrias do Distrito Industrial do Maracanaú, André Siqueira, destaca que os engarrafamentos causados pela falta de conclusão das obras resultam em prejuízos significativos. “Qualquer barreira que impeça o fluxo de pessoas e mercadorias só traz prejuízo. O Anel Viário é vital para a logística de cargas e o desempenho das empresas daqui,” afirma Siqueira.

O cenário de trânsito caótico impacta o comércio, elevando custos operacionais e afetando serviços de entrega. “Perdemos em torno de 50% da capacidade de transporte devido ao estrangulamento do trânsito,” declara o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Ceará, Marcelo Maranhão.

Compromissos e novas promessas

Após anos de paralisações e frustações, o governador Elmano de Freitas anunciou a retomada das obras, prometendo que a duplicação seria finalizada até o primeiro semestre de 2026. Com uma nova injeção de recursos e equipe de trabalho reforçada, a esperança é que o andamento melhore, mas as preocupações da população e do setor produtivo continuam.

Com a conclusão do Anel Viário, os empresários acreditam que poderão reduzir custos e tempo de entrega, além de garantir maior segurança para motoristas e pedestres. “O ganho de produtividade e segurança é incalculável. Esperamos que as promessas se concretizem e que possamos finalmente ver a conclusão desta obra tão necessária,” conclui Siqueira.

Enquanto isso, a população ao redor do Anel Viário continua sofrendo com os transtornos das obras inacabadas, aguardando há anos por melhorias que prometem transformar a logística e o tráfego na região metropolitana de Fortaleza.

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