Brasil, 30 de agosto de 2025
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O que as promoções do Dia do Trabalho revelam sobre o sonho americano

As vendas do Dia do Trabalho refletem mudanças econômicas e sociais que ameaçam a ideia de mobilidade do sonho americano

Durante décadas, o Dia do Trabalho foi uma celebração das conquistas trabalhistas e uma oportunidade de consumir, simbolizando o sonho de ascensão social nos Estados Unidos. No entanto, as tendências atuais revelam uma transformação nesse ideal, marcada pelo aumento da insegurança econômica e pela disparidade de oportunidades.

As origens do sonho e sua evolução

Para Alissa Quart, escritora e autora do livro “Bootstrapped: Liberating Ourselves From the American Dream”, as promoções do Dia do Trabalho ilustram uma narrativa que está se desintegrando. Ela relembra a experiência de sua avó, que trabalhou em uma pequena sapataria no Bronx após fugir da Europa durante o Holocausto. Para ela, as compras nas lojas de departamento na época — como Gimbel’s e B. Altman’s — representavam a esperança de mobilidade social e de uma vida melhor.

“O sonho americano, que parecia acessível por meio do esforço e do consumo, hoje se mostra cada vez mais distante”, afirma Quart. Ela observa que, na década de 1970 e 1980, cerca de 92% das pessoas nascidas naqueles anos superaram economicamente seus pais, número que caiu para 50% para quem nasceu nos anos 1980.

O impacto da mudança econômica e social

Declínio do empreendedorismo e do acesso à mobilidade

Quart destaca que o fechamento de lojas tradicionais, como as de departamentos, simboliza o fim de uma época em que o consumo era uma promessa de ascensão social. Hoje, um terço dos americanos relata piora na situação financeira, especialmente aqueles que vivem com menos de US$ 50 mil anuais.

Desigualdade e insegurança para imigrantes

Ela lembra que imigrantes, que contribuíram significativamente para a economia americana — representando cerca de 18% do PIB em 2023, cerca de US$ 1,9 trilhão — enfrentam uma nova camada de insegurança, incluindo riscos de deportação e discriminação. “A promessa de oportunidades para imigrantes e trabalhadores de baixa renda está se dissipando”, afirma Quart, que também faz uma conexão pessoal ao relembrar a experiência de sua avó.

O que as vendas do Dia do Trabalho dizem sobre o presente

Ao que tudo indica, as promoções de hoje não representam mais uma esperança de mobilidade acessível, mas sim uma lembrança de um passado que reforçava a falsa ideia de que o esforço individual seria suficiente para alcançar o sonho americano. O que era uma esperança coletiva se tornou uma luta individual por segurança e estabilidade.

A autora conclui que, embora o consumo continue a simbolizar um desejo de progresso, a realidade econômica revela que esse sonho está cada vez mais distante para grande parte da população, especialmente para os imigrantes e trabalhadores de baixa renda. Assim, as promoções do Dia do Trabalho hoje funcionam como um reflexo de uma trajetória que precisa ser repensada.

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