Brasil, 30 de agosto de 2025
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O impacto da revogação da regra sem estradas nas florestas americanas

A proposta de revogar a regra sem estradas nos EUA visa construir mais estradas nas florestas, mas provoca controvérsias sobre os riscos de incêndios florestais.

Na última sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA deu início ao processo de revogação da regra de 2001 que protege quase 60 milhões de acres de terras florestais. A Administração Trump argumenta que essa medida é essencial para facilitar o combate a incêndios florestais, uma vez que permitiria a construção de mais estradas dentro das florestas nacionais.

A posição do governo e suas implicações

Tom Schultz, chefe do Serviço Florestal dos EUA, afirmou que a regra sem estradas tem, ao longo de 25 anos, dificultado o gerenciamento das terras. Para ele, a proibição da construção de estradas limita a capacidade de controlar incêndios e realizar um manejo ativo das florestas. Essa afirmativa, entretanto, é contestada por especialistas em ecologia florestal e ciências do fogo.

Pesquisadores alertam que um aumento no número de estradas pode, na verdade, resultar em um aumento nos incêndios florestais. Alexandra Syphard, pesquisadora sênior do Conservation Biology Institute, explica que as estradas são um dos principais locais onde ocorrem ignições. A presença de pessoas nas áreas próximas às estradas está diretamente ligada ao aumento de riscos de incêndio.

Riscos das novas regulamentações

Estudos indicam que a vegetação ao redor das estradas pode ser alterada, tornando-a mais suscetível a incêndios. Uma pesquisa realizada pela Estação de Pesquisa das Montanhas Rochosas descobriu que plantas não nativas são duas vezes mais comuns a menos de 500 pés de uma estrada do que mais distantes. A conclusão ressalta que a suposição de que as estradas são necessárias para prevenir incêndios florestais não se sustenta em dados observacionais.

Entre os especialistas, há consenso sobre a necessidade de um manejo florestal que priorize a saúde do ecossistema, em vez de incentivar a construção de estradas. Dale Bosworth, ex-chefe do Serviço Florestal, argumenta que existe espaço para trabalhar na redução do risco de incêndios, mesmo sob a atual regra sem estradas, usando exceções para cortes seletivos que promovam a saúde do habitat.

Alternativas ao manejo de incêndios

Pesquisadores também indicam que a construção de estradas deve ser uma estratégia “cirúrgica”, visando a segurança de comunidades e proteção contra incêndios. Um estudo de 2021 concluiu que incêndios locais tendem a ser detectados e controlados mais rapidamente nas proximidades de estradas, sugerindo que uma abordagem bem planejada pode oferecer benefícios significativos.

Controvérsias e o futuro da regra sem estradas

Desde a sua implementação, a regra sem estradas tem sido alvo de conflitos entre estados, indústrias e grupos ambientalistas. Durante o primeiro governo de Trump, as proteções da regra foram retiradas na Floresta Nacional Tongass no Alasca, mas recuperadas pelo governo atual. Organizações ambientalistas argumentam que as iniciativas da administração atual para revogar proteções são mais motivadas pela lucratividade da indústria madeireira do que pela necessidade de mitigar incêndios.

Embora o governo afirme que até 28 milhões de acres estão em risco elevado de incêndio, especialistas questionam a veracidade dessa afirmação e esperam que mais dados sejam revelados. A discussão pública sobre a proposta de revogação da regra termina em 19 de setembro, levantando questionamentos sobre as prioridades de gerenciamento florestal nos Estados Unidos.

As florestas nacionais dos EUA representam um recurso valioso, não apenas em termos de biodiversidade, mas também para a prevenção de desastres naturais. O futuro da regra sem estradas pode impactar não apenas a fauna e flora, mas também a maneira como a sociedade lida com incêndios florestais e o gerenciamento ambiental. Uma avaliação equilibrada e fundamentada nas melhores práticas de conservação pode ser crucial para enfrentar os desafios que se avizinham.

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