Brasil, 30 de agosto de 2025
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Número de brasileiros no futebol europeu é o menor em 25 anos

O número de jogadores brasileiros nas principais ligas da Europa apresenta a maior queda em um quarto de século.

Portugal, tradicional porta de entrada para brasileiros na Europa, já abrigou 173 jogadores do país em uma única temporada (2018/19) na primeira divisão. Atualmente, esse número caiu para apenas 98, e a situação não é exclusiva do país. A presença de atletas brasileiros está diminuindo em diversas ligas do Velho Continente, refletindo uma tendência preocupante para a comunidade verde e amarela.

A diminuição da comunidade brasileira nas ligas europeias

Um levantamento do GLOBO nos 12 países que frequentemente recebem brasileiros revelou uma estatística alarmante: na temporada 2025/26, havia 278 jogadores brasileiros concentrados na Inglaterra, Espanha, Itália, França, Alemanha, Portugal, Holanda, Turquia, Rússia, Ucrânia, Grécia e Bélgica, o número mais baixo desde a temporada 2000/01. Essa queda representa um recorde negativo de 25 anos.

O fenômeno também se reflete nas cinco principais ligas da Europa, onde o número de brasileiros caiu para 76, o menor número registrado neste século. Na temporada 2007/08, por exemplo, o número chegava a 157. A maioria dos países que compõem esse quinteto experienciou uma queda significativa, com exceção da Inglaterra, que ainda mantém um contingente relevante de atletas.

Fechamento de oportunidades no mercado europeu

A Alemanha, por exemplo, atualmente conta com apenas nove brasileiros, enquanto França e Espanha têm dez cada. A Itália, que chegou a ter 50 brasileiros em 2013/14, agora registra apenas 15. Essa diminuição no número de atletas brasileiros em solo europeu não significa que eles deixaram de ser desejados. Com 1.113 transferências realizadas em 2024, o Brasil continua sendo o maior exportador de jogadores de futebol no mundo.

No entanto, a movimentação dos brasileiros no mercado global de futebol está mudando. A Major League Soccer (MLS) nos EUA se tornou um destino atrativo, com 33 brasileiros atualmente jogando lá. O Oriente Médio, especialmente países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, também se destaca como um novo cenário de oportunidades. Além disso, o próprio Brasil tem se valorizado, com contratações significativas de jogadores que retornam a clubes nacionais.

O impacto das SAFs e na valorização do mercado brasileiro

Agentes de futebol apontam a melhor organização financeira de clubes brasileiros e a entrada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) como fator determinante para a mudança de cenário. Essa injeção de capital elevou o poder de compra dos clubes, resultando em melhorias estruturais e, consequentemente, em salários mais competitivos. Assim, muitos jogadores que antes visavam o exterior agora reconsideram suas escolhas, optando por permanecer no Brasil se os incentivos forem favoráveis.

O agente FIFA Roberto Dantas enfatiza que o salário elevado que um atleta pode receber no Brasil torna a mudança para a Europa menos atrativa, particularmente para clubes que não fazem parte dos três grandes de Portugal (Benfica, Porto e Sporting). Sem propostas melhores, muitos preferem investir em suas carreiras no Brasil do que se arriscar em ligas menos reconhecidas.

Novos horizontes: ligas alternativas em ascensão

Enquanto Portugal perde competitividade, ligas menos tradicionais na Europa têm se mostrado mais receptivas aos brasileiros. Países como Indonésia, que passou de 23 para 66 jogadores brasileiros em cinco anos, e Coréia do Sul, com 34 atletas, se destacam nesse novo cenário. Essas ligas, apesar de menos conhecidas, oferecem salários comparáveis aos clubes menores de Portugal, atraindo jogadores em busca de uma ascensão na carreira.

A presença de redes de multiclubes também influencia a movimentação desses atletas. Times de países periféricos estão sendo adquiridos por grupos que possuem propriedades em ligas de maior prestígio, oferecendo aos jogadores a chance de serem observados por clubes mais renomados.

Desafios e mudanças no futebol global

Contudo, não se pode atribuir a redução do número de brasileiros à falta de talentos. A concorrência de atletas de outras nacionalidades, incluindo franceses, espanhóis, marroquinos e senegaleses, também está em ascensão. Thiago Freitas, diretor da Roc Nation Sports Brasil, salienta que a formação de jogadores capacitados para atuar nas principais ligas mundiais já é uma realidade em muitos países, demonstrando que o cenário do futebol está em constante transformação.

À medida que o mercado futebolístico global evolui, o Brasil se vê em um dilema: seguir exportando talentos ou valorizar seus atletas em casa. A resposta ainda está sendo desenhada pelas novas gerações de jogadores e o rumo que o futebol brasileiro decidirá tomar nos próximos anos.

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