Brasil, 30 de agosto de 2025
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Morre, em Porto Alegre, aos 88 anos, o escritor Luís Fernando Veríssimo

O criador da icônica Velhinha de Taubaté faleceu vítima de pneumonia, deixando um legado de humor e crítica social.

No dia 30 de agosto de 2025, o Brasil perdeu um de seus grandes cronistas: Luís Fernando Veríssimo. Com 88 anos, o escritor faleceu em um hospital de Porto Alegre, onde estava internado na UTI devido a complicações de uma pneumonia. Um dos autores mais queridos e bem-humorados do país, Veríssimo deixou um legado imensurável através de suas obras que atravessaram gerações e marcaram a literatura brasileira.

A trajetória literária de Veríssimo

Luís Fernando Veríssimo, natural de Porto Alegre, iniciou sua carreira como escritor nas décadas de 1960 e 1970. Desde então, produziu mais de 80 obras, incluindo livros, crônicas e quadrinhos. Seu estilo marcante, que une humor e crítica social, conquistou leitores em todo o Brasil. Entre seus personagens mais memoráveis, destacam-se Ed Mort, detetive particular trapalhão, e a emblemática Velhinha de Taubaté, que se tornou um símbolo de ingenuidade política e crítica à realidade brasileira.

A Velhinha de Taubaté: um ícone cultural

A Velhinha de Taubaté, uma de suas criações mais famosas, surgiu em uma crônica escrita durante a ditadura militar brasileira, em 1983. Apresentada como “a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo”, a Velhinha rapidamente se tornou uma metáfora da ingenuidade política do povo brasileiro. Ao longo dos anos, Veríssimo voltou a essa personagem em momentos significativos da política, criando uma conexão profunda com seus leitores.

Notavelmente, em 2005, durante o escândalo do Mensalão, Veríssimo publicou um texto em que “matava” a Velhinha, simbolizando a perda da fé nas instituições. Essa virada na narrativa ilustrou de forma brilhante o desânimo que tomou conta da população na época. “A morte dela representa o sentimento de descrença que afeta todos nós”, afirmou o autor em entrevista na época.

O impacto das obras de Veríssimo

O humor mordaz e a perspectiva crítica de Veríssimo sobre a classe média e a política brasileira deixaram uma marca indelével na literatura. Além da Velhinha de Taubaté, outros personagens, como a dupla As Cobras e o psicanalista gaúcho Analista de Bagé, conquistaram seus espaços nas páginas das crônicas. Essas figuras se tornaram veículos para discutir temas universais, como a política, a sociedade e o comportamento humano.

Veríssimo também explorou temas relacionados à cultura brasileira, suas tradições e suas contradições. Seu senso de humor, muitas vezes ácido, permitiu que leitores refletissem sobre questões sérias de maneira leve e acessível.

A saúde e a despedida de um ícone

Nos últimos anos, Luís Fernando Veríssimo enfrentou desafios de saúde significativos. Diagnosticado com Parkinson, ele também teve problemas cardíacos e sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2021, o que impactou sua mobilidade e fala. Apesar de suas dificuldades, continuou a ser uma voz ativa no cenário cultural e literário do Brasil, sempre emocionando seus leitores com seu talento.

A despedida do autor está marcada para o sábado, 30 de agosto, no Salão Nobre Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A cerimônia ocorrerá a partir das 12h, onde familiares, amigos e admiradores poderão prestar suas últimas homenagens a um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Legado e reconhecimento

O legado de Veríssimo transcende suas obras; ele é um símbolo de resistência e crítica em tempos desafiadores. Suas crônicas divertidas mas perspicazes continuarão a ecoar, inspirando futuras gerações de escritores e leitores. A Velhinha de Taubaté, por exemplo, permanecerá como um lembrete do pensamento crítico diante da realidade política do Brasil.

Em sua partida, Veríssimo deixa não apenas um trabalho imperecível, mas também uma mensagem sobre a importância de manter a esperança e o humor, mesmo em tempos de incerteza. O Brasil perdeu um grande autor, mas sua voz permanecerá vibrante nas páginas da literatura.

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