Estreado no Festival de Veneza, o novo filme de Guillermo del Toro, uma reinterpretação do clássico Frankenstein, traz uma estética exuberante e emoções intensas, mas acaba sendo excessivo e distante. A produção divide-se em duas partes: a primeira acompanha Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac, enquanto a segunda apresenta a história do monstro, vivido por Jacob Elordi.
Uma visão ambiciosa e visualmente impactante
Del Toro não mede esforços na sua estética e no impacto visual, criando um cenário gótico repleto de detalhes barrocos, com figuras monumentais e cores vívidas. Entretanto, essa grandiosidade muitas vezes sobrepõe-se à ligação emocional com os personagens, tornando a narrativa um pouco distante para o espectador.
O embrião de uma história clássica com toques de invenção
No primeiro ato, a trama explora a relação de Victor Frankenstein com seu pai, um médico autoritário interpretado por Charles Dance, e sua busca por desafiar a morte. Com uma estética que remete ao período vitoriano, o filme mostra seu esforço para reinventar Shelley, usando elementos de fantasia e invenção que remetem às obras de del Toro. Victor constrói sua criatura a partir de partes de corpos, uma ideia que passa por sofrimento, ambição e frustração.
A complexidade do monstro e as emoções artificiais
Na segunda parte, o filme foca no monstro, uma criação que, mesmo em sua aparência majestosa — semelhante a uma estátua de mármore em movimento —, carrega uma alma rebelde e sofrida. Elordi transmite o sentimento de solidão e busca por pertencimento, ao lado de uma narrativa que inclui um velho cego, interpretado por David Bradley, que oferece uma aproximação mais humana ao ser criado.
Falta de profundidade emocional
Embora o filme tenha potencial para explorar a condição de um ser rejeitado, a direção de del Toro opta por manipular as emoções do público, ao invés de construir essas emoções organicamente. Alexandre Desplat assina a trilha sonora, que muitas vezes parece exagerada, reforçando a grandiosidade emocional pretendida, mas às vezes atrapalhando a imersão.
Visuals magníficos, mas vazio de intimidade
Todo o cuidado estético, incluindo figurinos detalhados e cenários que parecem pinturas, é um destaque. Contudo, essa visualidade cria uma sensação de distância emocional que limita a conexão do espectador com os personagens.
Segundo a crítica, o filme de del Toro funciona como uma experiência visual impressionante, mas peca em criar uma empatia verdadeira com suas criaturas e protagonistas. Ainda assim, o talento do diretor se destaca na atenção aos detalhes, na concepção de figurinos e na configuração de cenários que parecem sonhos sombrios.
Perspectivas e possibilidades futuras
Del Toro demonstra neste filme seu amor por criaturas incompreendidas, semelhante ao que fez em “A Forma da Água”. A obra mostra o talento do cineasta para criar mundos visuais ricos, embora precise aprimorar sua capacidade de transmitir emoções de forma mais sutil e menos manipulada.