O aguardado filme Frankenstein, dirigido por Guillermo del Toro, está prestes a estrear nos cinemas e promete uma abordagem inovadora da clássica obra de Mary Shelley. Com uma produção de tirar o fôlego e um elenco de peso, a adaptação foi uma das principais atrações do Festival de Cinema de Veneza. Entre as novidades, destaca-se a atuação do jovem australiano Jacob Elordi, que interpreta a criatura, trazendo um novo viés emocional para um personagem já icônico.
Uma nova perspectiva sobre o monstro
Elordi, conhecido por seu papel em séries de sucesso, traz um frescor ao personagem que, tradicionalmente, é apresentado como um vilão. Na visão de del Toro, a criatura é uma figura incompreendida e solitária, mais parecida com um outsider romântico ao estilo de James Dean. Em vez de um ser de terror e caos, este monstro apresenta dificuldades emocionais e conflitos internos agudos, que o tornam mais reconhecível e até simpático para o público.
Partindo desse novo prisma, Oscar Isaac também brilha na pele de Victor Frankenstein, o cientista com uma busca obsessiva por poder e conhecimento, que acaba por criar sua própria ruína. O desempenho de Isaac traz nuances ao personagem, fazendo o público oscilar entre a empatia e a repulsão.
A continuidade da tradição do horror
Muitos fãs do gênero já conhecem a história de Frankenstein por meio de várias adaptações, desde os filmes da Universal até comédias como a paródia de Mel Brooks, Young Frankenstein. No entanto, esta nova versão se propõe a ir além das convenções históricas, com uma interpretação que pretende ser mais fiel ao romance original de Shelley. Embora tradicionalmente o horror dominasse a narrativa, del Toro enfatiza o romantismo, prometendo uma experiência cinematográfica que desafia as expectativas.
Champanhas e conflitos temporais
A trama começa com David e seus companheiros dinamarqueses, que resgatam um Victor Frankenstein abatido no mar. O filme alterna entre uma narrativa de melodrama romântico e cenas intensas de horror, criando um equilíbrio às vezes instável entre ambos os gêneros. Essa oscilação pode deixar o espectador questionando a continuidade da tensão, já que sabemos desde o início que a criatura não pode ser morta, o que diminui o suspense. Contudo, as cenas de visual altamente detalhadas—desde os campos de batalha até as sombrias ruas de Edimburgo—são um testemunho da habilidade única de del Toro na construção de ambientes imersivos.
Um espetáculo visual
A cinematografia e a produção são um dos pontos altos do filme, mostrando um compromisso claro com o detalhamento e a estética que caracterizam o trabalho de del Toro. Os figurinos e os cenários são cuidadosamente elaborados, reforçando a atmosfera opressiva e ao mesmo tempo, rica em nuances do roteiro. O filme homenageia a era vitoriana e o horror gótico, trazendo à vida ambientes que são tanto repulsivos quanto fascinantes.
Os primeiros dias de exibição mostram que a nova versão de Frankenstein está atraindo tanto fãs clássicos do horror quanto novos espectadores, ansiosos para explorar suas complexidades emocionais. Com um elenco talentoso e uma visão audaciosa, Guillermo del Toro novamente se reafirma como um dos cineastas mais criativos de sua geração.
Frankenstein será lançado nos cinemas no dia 17 de outubro e também estará disponível para streaming na Netflix a partir de 7 de novembro. A expectativa é alta, e muitos se perguntam se a nova adaptação será capaz de capturar o espírito da obra original enquanto oferece algo novo e relevante para os tempos modernos.