Um paciente nos Estados Unidos, que retornou da El Salvador, foi diagnosticado com uma infecção pelo parasita devorador de carne, conhecido como New World screwworm, conforme informou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA nesta semana. O caso marca a primeira ocorrência relacionada a viagens de país com surto ativo, e reforça a necessidade de precauções, segundo especialistas.
Como o parasita age e quais os riscos
De acordo com o CDC, a larva do screwworm causa danos significativos ao se estabelecer em tecidos vivos, burilando a pele com suas garras afiadas. A fêmea do inseto deposita até 300 ovos em feridas abertas ou mucosas, levando ao crescimento de larvas que alimentam-se do tecido vivo, aprofundando e ampliando a ferida. Caso não seja tratado, o parasita pode levar a infecções bacterianas graves.
Na maior parte, os animais de criação são os mais afetados, embora infestações em humanos sejam consideradas raras e altamente dolorosas. Países da América Central e México reportaram casos recentes em ambos os grupos. Segundo o CDC, a perspectiva de transmissão comunitária nos EUA é muito baixa, reforçada pela força de programas de erradicação do inseto no país.
Medidas de proteção e prevenção durante viagens
Especialistas aconselham que quem viajar para regiões com surto do screwworm adote cuidados simples, como manter as feridas limpas e cobertas. Dr. Sheldon Campbell, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Yale, recomenda o uso de roupas largas de manga longa, calças e meias, além de repelentes registrados pela EPA. “Use repelente de insetos aprovada pela EPA”, afirma.
Para quem pretende ficar em áreas rurais ou próximas a animais de criação, Campbell destaca a importância de tratar roupas com permetrina, um repelente que age contra insetos. Ele também recomenda dormir em ambientes protegidos, com telas em janelas e portas.
Cuidados em caso de ferimentos ou sinais de infestação
Se perceber que uma ferida está aumentando de tamanho, não cicatrizando ou apresentando a presença de larvas visíveis, o indicado é procurar atendimento médico imediatamente. Segundo o CDC, o tratamento consiste na remoção física das larvas do tecido afetado. “A intervenção rápida é fundamental para evitar complicações”, reforça a especialista Laurel Bristow, da Universidade Emory.
Perspectivas futuras e controle do inseto
O governo dos EUA, por meio do Departamento de Agricultura, anunciou a instalação de uma nova unidade de criação de moscas estéreis no Texas, com o objetivo de reforçar os esforços de erradicação do parasita. Esses programas já eliminaram a população do screwworm há mais de 50 anos no país.
De acordo com Bristow, embora infestações humanas sejam pouco frequentes, o principal risco ainda é para o setor de gado. “Especialmente para a indústria bovina, que pode ser afetada se os insetos se estabelecerem na região”, explica. O contato com a larva, além de causar dor, pode levar a infecções secundárias, caso o parasita permaneça no hospedeiro.
Autoridades reforçam que a população deve manter a vigilância, especialmente ao identificar sinais de infestação em feridas que não cicatrizam ou apresentam larvas. Manter a higiene adequada das feridas, evitar ambientes rurais desprotegidos e usar repelentes são dicas essenciais para quem viaja a áreas de risco.
Especialistas tranquilizam a população de que o risco imediato de transmissão comunitária nos Estados Unidos é baixo, mas alertam para a importância de medidas preventivas em viagens e para a atenção em ferimentos.