A Força Aérea dos Estados Unidos anunciou a concessão de honras militares a Ashli Babbitt, ex-militar e participante do 6 de janeiro de 2021, provocando forte repercussão pública. A decisão, assinada em agosto pelo Subsecretário da Força Aérea, Matthew Lohmeier, reverte uma determinação anterior que considerava inoportuno homenagem devido às ações de Babbitt ao invadir o Capitólio, enquanto uma multidão ateava fogo ao coração da democracia americana.
A controvérsia por trás da homenagem à veterana
Apesar de a morte de Babbitt ter sido amplamente debatida, ela foi fatalmente atingida por um tiro do policial do Capitólio, Lt. Michael Byrd, que afirmou não ter visto arma na vítima, embora ela estivesse não armada e carregasse uma mochila. Os detalhes do incidente foram apurados e Byrd foi considerado isento de wrongdoing pelo Departamento de Justiça. Ainda assim, a família de Babbitt buscou uma indenização de US$ 30 milhões, valor que foi reduzido para US$ 5 milhões em um acordo com o governo em maio.
Desde então, a narrativa em torno de sua morte foi usada como símbolo por apoiadores do ex-presidente Donald Trump e pelos defensores de teorias conspiratórias como QAnon. A própria Babbitt, ativa nas redes sociais, manifestava apoio às ideias extremistas e chegou a participar de movimentos que incluem alegações de uma conspiração global de pedófilos controlando a sociedade.
O peso político e social da decisão da Força Aérea
O anúncio da honraria foi divulgado pelo grupo Conservador Judicial Watch, que mantém forte ligação com círculos ligados a Trump, apoiando a reversão da decisão anterior. A homenagem, que inclui toque de sirene e apresentação da bandeira americana, foi vista por muitos como um sinal de alinhamento ideológico, em contraste com as opiniões de figuras como o ex-representante Adam Kinzinger (R-Ill.), que criticou duramente a decisão e a considerou uma “desonra” ao serviço militar.
“Ashli Babbitt desonrou seu serviço ao cometer insurreição contra seu próprio país. Ambiente de polarização transforma um fato trágico em símbolo divisório”, afirmou Kinzinger numa rede social.
Reações às diferentes perspectivas
Alguns ex-policials e membros de força de segurança que estiveram na linha de frente durante o caos também condenaram a homenagem. O ex-sargento Aquilino Gonell, que se aposentou após sofrer graves ferimentos no episódio, criticou a decisão de reverenciar alguém que participou de um ataque à democracia.
“Traíram os policiais que defenderam o Capitólio, enquanto ela parte do mob que tentou destruir tudo. Isso é um ato de desdém com quem lutou por nossas instituições”, escreveu Gonell em sua rede social.
Perspectivas futuras e impactos jurídicos
A controvérsia ainda deve provocar debates intensos sobre os limites da homenagem militar a civis envolvidos em atos extremistas. A própria família de Babbitt manifestou gratidão pela reversão da decisão, enquanto opositores continuam a questionar a moralidade de condecorar alguém que participou de uma tentativa de derrubar o Congresso.
O caso reforça a polarização no país, onde símbolos e homenagens carregam diferentes significados dependendo do espectro político. A decisão da Força Aérea sinaliza uma possível mudança de postura frente às interpretações das ações de participantes do episódio de 6 de janeiro, que permanece como um divisor de águas na história recente dos EUA.