Brasil, 30 de agosto de 2025
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Bate-boca na CPI dos Pancadões agita discussão sobre crime organizado

O embate entre Rubinho Nunes e Thiago Torres, o 'Chavoso da USP', destaca tensões sobre a criminalização do funk e seu impacto nas periferias.

A CPI dos Pancadões, instalada na Câmara Municipal de São Paulo, se transformou em um verdadeiro palanque de discórdia na última sexta-feira (29). O clima esquentou entre o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) e o professor Thiago Torres, conhecido como “Chavoso da USP”, durante a audiência. A CPI, que investiga a atuação do crime organizado e a fiscalização de festas clandestinas, foi marcada por um acalorado bate-boca entre as partes após uma declaração incendiária de Chavoso sobre a presença de crime organizado no legislativo.

A discussão que gerou polêmica

O tumulto teve início quando o professor, convocado a depor sobre suas supostas ligações com o crime organizado, declarou que “o crime existe em todo lugar”, referindo-se também à Câmara Municipal. A afirmação pegou Nunes de surpresa, que imediatamente exigiu que Chavoso identificasse os parlamentares ligados ao crime, mas o youtuber ficou em silêncio. A impertinência da declaração provocou reações inusitadas, levando Nunes a ameaçar dar “voz de prisão” ao professor por “testemunho falso”, o que intensificou ainda mais a tensão na sala da CPI.

Contexto da CPI dos Pancadões

A comissão está em operação desde maio, com o objetivo de investigar festas clandestinas que provocam perturbação do sossego e possíveis conexões com organizações criminosas. Nela foram ouvidos vários depoimentos, incluindo de figuras relevantes do funk e da música popular. Durante a audiência, Nunes questionou Chavoso sobre sua posição em relação a grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), mas o professor argumentou que as perguntas estavam desconectadas do tema central, que é o baile funk.

Chavoso e a crítica à criminalização

Chavoso, educador e ativista, é amplamente reconhecido por suas críticas às injustiças sociais e à estigmatização da juventude negra e periférica. Durante seu depoimento, ele desferiu críticas ao objetivo da CPI, que segundo ele, teria se transformado em um espaço para ganhar visibilidade às custas de sua própria imagem. “A CPI quer aproveitar minha visibilidade para ganhar seguidores nas redes sociais. Isso tem a ver com a criminalização da juventude negra e periférica da qual faço parte”, afirmou.

Em resposta às perguntas de Nunes, o professor defendeu a diversidade dos bailes nas periferias, afirmando que a festa não se restringe ao funk, mas inclui vários gêneros – sertanejo, forró e samba, entre outros. Para Chavoso, a associação da cultura funk ao crime é uma forma de perseguição.

Próximos passos e implicações

Rubinho Nunes, ao final da audiência, solicitou que a gravação do depoimento fosse encaminhada ao Ministério Público de São Paulo, citando a necessidade de investigação sobre um possível falso testemunho. Vale destacar que a Câmara Municipal não se pronunciou sobre qualquer movimentação em relação ao MP-SP até o fechamento desta reportagem.

A CPI, que já se arrasta há meses, agora apresenta sinais de prorrogação por mais 120 dias, de acordo com o presidente da comissão, para que possam lidar melhor com a “complexidade do problema”. Especialistas em políticas públicas e representantes dos movimentos sociais devem ser ouvidos, dando voz àqueles que vivem nas comunidades afetadas pela criminalização e a repressão.

A tensão entre o vereador e o professor expõe não apenas a polarização política, mas também um debate maior sobre o papel da cultura nas periferias e a necessidade de abordar questões de segurança pública sem estigmas. Ambos os lados reconhecem a importância de uma discussão mais ampla sobre a juventude e seus direitos. Afinal, a fomentação dos diálogos e a prestação de contas aos cidadãos podem se tornar fundamentais na busca por soluções sustentáveis e justas.

Embora a dinâmica da CPI varie entre momentos de confronto e aliados em busca de um meio-termo, a comunidade aguarda ansiosa por resultados. Enquanto isso, a polícia civil e a sociedade civil continuam a observar as movimentações, buscando respostas para questões que vão além das festas e envolvem a vida real de milhares de jovens nas periferias de São Paulo.

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