Palmas, a mais nova capital do Brasil, continua a ser o local onde a maioria da população opta por morar de aluguel. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2024, que 44,9% dos moradores da capital tocantinense vivem em imóveis alugados. Este é o oitavo ano consecutivo em que Palmas se mantém nesse patamar, superando outras cidades brasileiras e apresentando um aumento significativo em relação aos 31% registrados em 2016.
A crescente demanda por moradia em Palmas
Palmas é a única capital do Brasil a ultrapassar a marca de 40% de residentes em imóveis alugados. Em comparação, Goiânia (GO) ocupa o segundo lugar, com 38,9%. Essa tendência de alta no percentual de moradores de aluguel está ligada ao fluxo constante de pessoas que se mudam para a cidade em busca de novas oportunidades, conforme destacou João Paulo Tavares, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Tocantins (Ademi-TO).
Tavares explica que “há um déficit habitacional que já existia desde a fundação da cidade, pois as primeiras pessoas que chegaram não tinham onde morar. O crescimento da cidade não está acompanhado pela oferta de moradias, resultando em uma procura muito maior do que a disponibilização de imóveis”. Essa alta demanda influenciou diretamente o valor do aluguel, que tem se mantido elevado.
Impacto do aumento de preços no mercado de locação
Apesar dos valores altos, os imóveis em Palmas são alugados rapidamente. “Não importa o preço do imóvel, ele não permanece disponível por muito tempo”, revelou Tavares. A situação se torna um desafio, uma vez que a renda dos brasileiros não acompanha o aumento dos custos de vida e do valor do aluguel, uma realidade que se agrava ainda mais pela relação entre oferta e procura no mercado.
O presidente da Ademi-TO ainda comentou sobre o perfil dos investidores que buscam comprar imóveis na capital. Ele ressaltou que há um equilíbrio entre aqueles que querem residir nos imóveis e aqueles que pretendem alugá-los, o que atrai investimentos e fomenta a valorização da economia local. “Quando as pessoas veem a valorização, tende a ser vantajoso tanto para investidores quanto para moradores”, afirmou.
Políticas habitacionais para reverter o cenário
Tavares enfatiza que a situação atual, com a maioria da população morando de aluguel, pode ser alterada. Para isso, são necessárias políticas de habitação que incentivem a construção de novos empreendimentos e ofereçam subsídios para financiamentos habitacionais. “Se não houver um incentivo governamental, iremos continuar lidando com esse problema por um bom tempo”, concluiu o especialista.
Os dados da PNAD também revelam que em 2024, 39,7% dos domicílios em Palmas estão quitados, uma queda em relação aos 55,4% observados em 2016. O percentual de casas que ainda estão sendo pagas subiu de 6,1% para 8,7% entre 2023 e 2024, enquanto 6,8% dos domicílios são cedidos.
Comparativo com outras capitais
A pesquisa também mostra que, em 2024, 62,8% dos domicílios no estado do Tocantins são próprios e 2,7% ainda estão sendo pagos. O número de pessoas pagando aluguel no estado é consideravelmente menor que o nível alarmante observado em Palmas, com apenas 23,8% da população nessa condição.
As cinco capitais com maior índice de moradia por aluguel em 2024 são:
- Palmas – 44,9%
- Goiânia – 38,9%
- Aracaju – 37%
- Florianópolis – 36%
- Brasília – 34,6%
Com a evolução dos dados, é evidente que Palmas apresenta um cenário único em comparação a outras capitais brasileiras, demandando atenção aos fatores que contribuem para o seu crescimento e os desafios que isso impõe.
Para saber mais sobre o mercado imobiliário em Palmas, acesse o portal G1 Tocantins.