No mundo do futebol, a habilidade em campo e a tática dos treinadores são elementos essenciais para o sucesso de um time. No entanto, em alguns momentos históricos, o destino de equipes e seleções foi decidido de maneira inusitada: por meio do cara ou coroa. Essa prática, que remete ao acaso, já aproximou e afastou times de várias competições importantes, como o Campeonato Brasileiro, a Copa América e a Eurocopa.
A decisão da Taça Brasil de 1967
Um dos episódios mais memoráveis do uso do cara ou coroa ocorreu na Taça Brasil de 1967, quando Atlético Mineiro e Botafogo disputaram uma final regional. No primeiro jogo, realizado no Maracanã, o Botafogo saiu vitorioso com um placar de 3 a 2. No jogo de volta, em Belo Horizonte, o Galo garantiu uma vitória de 1 a 0. Com o agregado marcado em 3 a 3, o regulamento previa um jogo extra, que também terminou empatado. A partida adicional acabou levando a decisão para o critério do cara ou coroa.
O chefe de equipe de Atlético e Botafogo, em busca de um avanço na fase final, teve que aguardar o resultado daquela moeda. O resultado favoreceu o Atlético Mineiro, que se viu livre do fardo de um novo confronto, avançando assim para a fase final do torneio. No entanto, o triunfo não durou muito, já que o time foi eliminado na fase seguinte pelo Náutico, que acabou se tornando o vice-campeão daquele ano.
O Brasil na Copa América de 1983
Outro momento icônico de decisão por cara ou coroa ocorreu na Copa América de 1983. O Brasil se encontrou em uma fase semifinal contra o Paraguai. Após dois empates, 1 a 1 em Assunção e 0 a 0 no Brasil, o critério de desempate estabelecido novamente foi a moeda.
Com os nervos à flor da pele, o Brasil aguardou a sorte jogar a seu favor, o que realmente aconteceu. A moeda caiu com a face do Brasil voltada para cima, garantindo a classificação para a final contra o Uruguai. No entanto, essa forma de decidir o futuro gerou polêmica, levando o presidente da CBF da época, Giulite Coutinho, a comentar: “A Confederação Sul-Americana tem que criar vergonha e criar um campeonato que se decida, pelo menos, nos pênaltis, e nunca em uma moeda”.
A Eurocopa e a Champions League também se renderam à sorte
O uso do cara ou coroa não se limita apenas ao futebol brasileiro. Na Eurocopa de 1968, por exemplo, a Itália enfrentou a União Soviética em uma semifinal marcada por um empate em 0 a 0. Após uma prorrogação sem gols, a vaga na final foi decidida na moeda, e a sorte sorriu para a seleção da casa, que acabaria se sagrando campeã daquela edição.
Além disso, entre as décadas de 1950 e 1970, o cara ou coroa foi utilizado em várias ocasiões nas fases finais da Champions League. Um caso notável ocorreu em 1964/1965, quando Liverpool e Köln precisaram de um terceiro jogo em campo neutro após dois empates em 0 a 0. O resultado novamente foi direção ao cara ou coroa, que gerou tensão quando a primeira moeda caiu em pé dentro de um buraco do gramado, exigindo um segundo lançamento, que acabou favorecendo o Liverpool.
Esses eventos demonstram como, mesmo em um esporte onde se espera que a habilidade e o treinamento prevaleçam, o fator sorte às vezes pode ser decisivo. Por mais que a sorte possa parecer um elemento não desejado em competições esportivas, ela faz parte da história do futebol, trazendo elementos de emoção, surpresa e um toque de incerteza a partidas que em teoria deveriam ter um desfecho claro.
Em momentos como estes, a linha entre vitória e eliminação torna-se tênue, e a sorte se torna o árbitro mais inesperado de todos, evidenciando que no futebol, tudo pode acontecer.