Brasil, 29 de agosto de 2025
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Unimed Ferj propõe credenciar médicos cooperados como prestadores de serviço

Após atrasos nos pagamentos, a Unimed Ferj sugere credenciamento direto de médicos cooperados, buscando evitar redução da rede credenciada.

Com os pagamentos dos médicos cooperados ainda em atraso, a Unimed Ferj propôs na última terça-feira que os profissionais ligados à Unimed-Rio se credenciem como prestadores de serviço da própria Ferj. A iniciativa visa solucionar os problemas enfrentados pelos usuários, cuja rede credenciada vem encolhendo devido à recusa de médicos em atender por falta de pagamento.

Proposta para evitar a redução de atendimento

De acordo com um e-mail enviado pela diretoria executiva da Ferj, a operadora convidou os médicos cooperados a se credenciarem como prestadores diretos, buscando construir uma rede própria de credenciados. Sem detalhar valores ou comprovações, a Ferj justificou a proposta afirmando que já repassou recursos excedentes aos médicos e que o atraso nos pagamentos seria de responsabilidade da Unimed-Rio.

A medida surge em um contexto de cobrança por maior transparência, uma vez que há meses os profissionais enfrentam dificuldades de acesso às informações financeiras da cooperativa. Desde 2024, a carteira de clientes passou a ser gerenciada pela Ferj, enquanto os médicos cooperados continuam vinculados à Unimed-Rio, que paga os honorários a partir dos repasses desta última. Contudo, os repasses sofrem atrasos recorrentes, em torno de 30 a 45 dias, e esse cronograma vem sendo descumprido desde janeiro, conforme reportado por O GLOBO.

Reações dos médicos e críticas à transparência

Dos médicos cooperados, há fortes receios quanto à transparência da gestão financeira da cooperativa e à possibilidade de assumir dívidas elevadas. Uma médica, Nilcéa Neder Cardoso, afirmou: “Está uma confusão terrível. Não sei qual vai ser a solução. Estamos todos com muita desconfiança e dúvidas. Como vão ficar os atrasados? Ninguém fala”.

Segundo advogados especializados, a credenciação direta à Ferj pode não resolver problemas antigos, especialmente em relação às dívidas acumuladas. Rodrigo Tostes, advogado do escritório Pinheiro Neto, explicou: “Se o cooperado entender que a dívida foi gerada por má gestão, pode questionar a responsabilidade pelo pagamento, mas isso geraria uma disputa judicial”.

Reação da Unimed-Rio e posicionamento da Ferj

A Unimed-Rio não comentou oficialmente sobre a proposta da Ferj. Em nota, a cooperativa orientou que os cooperados devem desconsiderar quaisquer mensagens ou solicitações de fontes não oficiais, reforçando que acompanha de perto a situação.

Já a Ferj afirmou que a iniciativa busca assegurar a continuidade do atendimento aos mais de 400 mil beneficiários na região do Rio de Janeiro e Duque de Caxias. A operadora também afirmou que a medida é legítima, alegando que já houve repasses de recursos aos médicos e que a resistência da Unimed-Rio dificultaria o diálogo.

Impactos e próximos passos

O cenário atual reflete a complexidade da gestão na área de planos de saúde na cidade do Rio de Janeiro, onde problemas de transparência, atrasos financeiros e disputas judiciais têm se intensificado, prejudicando a assistência aos beneficiários. A expectativa é de que o debate continue acirrado, com possíveis judicializações se a situação não for resolvida de forma amistosa.

A reportagem do GLOBO entrou em contato com a Unimed do Brasil, responsável pela gestão geral da marca, mas não obteve respostas até o momento. A Ferj afirmou que tomou a iniciativa visando “assegurar a continuidade do atendimento” enquanto aguarda o andamento das negociações com os cooperados e a Unimed-Rio.

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