O ex-presidente Donald Trump surpreendeu seus apoiadores ao anunciar a entrada de 600 mil estudantes chineses nos Estados Unidos, em meio às negociações comerciais com a China. A medida provocou forte reação negativa de aliados do movimento MAGA, que consideram a ação uma ameaça à postura protecionista defendida por Trump anteriormente.
Reversão de estratégia e reações da base MAGA
Durante uma entrevista na Casa Branca nesta segunda-feira, Trump afirmou que os estudantes chineses serão autorizados a ingressar no país, destacando a importância do número de 600 mil. “Vamos permitir que seus estudantes venham. Isso é muito importante”, declarou o ex-presidente, em claro contraste com sua postura anterior de restringir vistos para cidadãos chineses.
A decisão foi recebida com indignação por figuras proeminentes do movimento, que acusam Trump de abandonar o discurso “America First”. A congressista Marjorie Taylor Greene (R-Ga.) questionou: “Como colocar 600 mil estudantes chineses, que podem ser leais ao Partido Comunista, acima dos interesses americanos?” em uma publicação no X, antiga Twitter.
Polêmica e críticas ao foco econômico
Na última semana, analistas e apoiadores manifestaram preocupação com o que chamam de “abandonar o combate à China”. Laura Ingraham, apresentadora da Fox News, questionou o secretário de Comércio, Howard Lutnick, durante o programa The Ingraham Angle: “Como podemos falar em prioridade para os EUA ao permitir a entrada de tantos estudantes chineses?” Lutnick argumentou que a decisão partiu de uma visão econômica “racional”, defendendo que muitos desses estudantes frequentam as melhores universidades americanas, ajudando a fortalecer a economia do país.
Argumentos a favor da inclusão de estudantes chineses
Enquanto apoiadores mais radicais veem a medida como uma traição ao discurso protecionista, outros defendem que a presença de estudantes chineses é vital para a economia americana. Um usuário no X afirmou que a entrada desses estudantes poderia ajudar as universidades top a manter seu status, substituindo estudantes americanos em instituições de menor destaque.
Reações extremadas e discurso xenofóbico
Por outro lado, a reação da base mais conservadora foi marcada por discursos xenofóbicos e teorias da conspiração. A ativista Laura Loomer postou que “ninguém quer 600 mil chineses, que podem ser espiões comunistas, na América”, associando a medida ao controle chinês e à crise do COVID-19, que ela associa a um ato intencional de Beijing, uma narrativa que alimenta discursos de ódio contra asiático-americanos.
Outro exemplo de críticas exageradas veio de apoiadores que acusam Trump de hipocrisia, lembrando sua postura anterior de combater a “saque de empregos” pela China, e criticando o que consideram uma contradição na decisão de abrir as portas para estudantes vindos de uma nação comunista.
Futuro incerto para a relação entre Trump e base MAGA
Até o momento, a equipe de Trump não comentou oficialmente a controvérsia. A decisão desafia a narrativa de uma forte postura contra a China adotada durante seu mandato e revela possíveis dificuldades em manter a fidelidade do eleitorado mais radical, que ainda valoriza o discurso de “America First”.
Especialistas indicam que essa mudança sinaliza uma tentativa de Trump de equilibrar interesses econômicos e diplomáticos, mas mostra também a fragilidade de sua imagem junto ao segmento mais conservador, que espera ações mais duras contra Pequim.