O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região ajuizou uma ação na Justiça contra a Embraer devido à decisão de retomar o trabalho presencial em pelo menos três dias da semana, sem negociação prévia com os funcionários. A medida contraria o regime totalmente remoto adotado durante a pandemia de Covid-19, que beneficiou a qualidade de vida dos trabalhadores.
Retorno ao trabalho presencial: histórico e resistência
Em março de 2025, a Embraer anunciou que adotaria um sistema híbrido de trabalho a partir de agosto, mas a iniciativa foi recebeu críticas e protestos por parte dos funcionários, que questionaram a falta de diálogo com o sindicato. A incorporação da medida foi então adiada para o início de 2026, justificando-se que a decisão consideraria o crescimento da companhia, além de buscar uma adaptação da infraestrutura das unidades brasileiras.
Segundo a empresa, “a mudança ocorrerá apenas em janeiro de 2026 nas unidades do Brasil”, enquanto as operações no exterior já retornaram ao trabalho presencial. Herbert Claros, diretor do sindicato, comentou que tentativas de negociação com a Embraer através de diferentes órgãos e departamentos foram unsuccessful, pois a empresa recusou-se a dialogar.
Direitos dos trabalhadores e proposta sindical
O sindicato realizou uma pesquisa de opinião com os colaboradores e elaborou uma proposta, aprovada em assembleia, de manter dois modelos de trabalho. Para os funcionários que residem longe das unidades ou possuem problemas de saúde ou mobilidade, a proposta prevê a manutenção do regime 100% remoto.
Para os demais, a alternativa é um sistema híbrido, com dois dias presenciais e três de home office, podendo variar conforme as demandas de cada setor. “A maioria afirmou que o trabalho remoto melhorou sua qualidade de vida, facilitando atividades físicas e acompanhamento escolar dos filhos. Se esses trabalhadores estão gerando lucros para a Embraer, por que mudar?”, questiona Herbert Claros.
Impactos financeiros e argumentações da Embraer
Além da resistência dos funcionários, a Embraer argumenta que os dias de trabalho presencial podem aprimorar a comunicação interior, a agilidade nas decisões e o fortalecimento do vínculo entre as equipes. “A iniciativa contribui para a colaboração, desenvolvimento de pessoas e maior eficiência operacional”, afirmou a empresa, que promete apresentar sua defesa em eventual processo judicial.
Recentemente, a Embraer anunciou a correção de seu balanço financeiro, trocando prejuízo de R$ 53 milhões por um lucro de R$ 675 milhões, o que reforça sua atual fase de crescimento.
Questionamentos e próximos passos
O sindicato também busca manter o benefício de vale-compras de R$ 900, entregue desde a pandemia para ajudar nas despesas com alimentação e serviços básicos, parceria que estaria ameaçada com a mudança no regime de trabalho. Além disso, há negociações em andamento relacionadas à data-base e cláusulas que abordem as condições do home office.
Ainda sem uma data definida para a audiência inicial do processo judicial, o sindicato reafirma a intenção de continuar dialogando, enquanto reforça sua posição de que a decisão da Embraer deve ser negociada com os trabalhadores antes do retorno ao presencial.
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