Seis meses após a proibição do uso de celulares nas escolas públicas e privadas de São Paulo, relatos de alunos e professores indicam um impacto positivo significativo no ambiente escolar. A medida, que entrou em vigor em janeiro de 2025, tem como objetivos melhorar a concentração e a interação social entre os estudantes, conforme afirmam diversos jovens que estão experimentando essa nova realidade.
Melhor desempenho acadêmico e novas amizades
Gustavo Campos, um adolescente de 17 anos e estudante do 2º ano do ensino médio em Campinas (SP), compartilha que, inicialmente, não aceitou bem a ideia de ficar sem o celular. No entanto, após meses de adaptação, ele afirma que a proibição melhorou não apenas seu desempenho acadêmico, mas também a sua capacidade de se socializar com os colegas. “Com a proibição do celular, eu consegui me comunicar melhor com os meus amigos e melhorei minha interação e desempenho nos estudos”, declarou Gustavo à EPTV, emissora afiliada à TV Globo.
Essa mudança parece refletir um padrão mais amplo nas escolas. Muitos alunos que antes estavam mais conectados aos seus dispositivos agora focam mais nas aulas e nas interações sociais. Pedro Ferrarezi, de 16 anos, relata que conheceu melhor seus colegas de classe após a proibição. “A gente conversa muito mais, fiz novas amizades. A escola melhorou muito por causa disso”, disse.
Interação aumentada e plágio reduzido
Com a nova medida, a interação entre os alunos aumentou, e os professores também notaram uma mudança no comportamento dos estudantes. A coordenadora da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) em Campinas, Solange Pozzuto, destacou que a ausência de celulares melhorou a atenção dos alunos nas aulas. “Hoje em dia tem muito mais interação dentro da sala de aula; as crianças prestam mais atenção e participam mais”, afirmou Solange. Ela acrescentou que a proibição também reduziu o problema do plágio, normalmente acessado via internet durante as aulas.
Desafios e resistência à nova regra
No entanto, nem todos os professores enfrentam a mudança da mesma forma. Josélia Souza Silva, que leciona língua portuguesa em três colégios da região de Campinas, revelou que ainda há resistência entre alguns alunos, que continuam utilizando seus celulares nas aulas. “É uma competição injusta, porque eles preferem o celular à professora, e isso acaba dificultando a transmissão do conteúdo”, lamentou a professora.
A nova lei proíbe o uso de qualquer dispositivo com acesso à internet nas escolas, incluindo celulares, tablets e até relógios inteligentes. Fica a cargo dos alunos que ainda optarem por levar os aparelhos mantê-los trancados durante as aulas. No entanto, existem exceções: alunos com deficiências podem usar dispositivos tecnológicos necessários para suas atividades escolares.
Comunicação com os responsáveis
A medida também estabelece que as Secretarias Municipais e Estaduais de Educação, além das escolas privadas, criem canais acessíveis para a comunicação entre pais e instituições. Em casos de descumprimento da regra, o celular do aluno pode ser retido pela equipe gestora e devolvido apenas ao final do período de aulas.
A proibição, além de ter implicações diretas no ambiente escolar, também levanta questões sobre a necessidade de adaptação dos alunos a novas práticas de estudo e convívio social. Enquanto muitos relatam experiências positivas após seis meses sem celulares, outros enfrentam as dificuldades inerentes à mudança.
O futuro das escolas sem celulares
A experiência em São Paulo pode ser um modelo para outras regiões do Brasil e até mundialmente, considerando que outras iniciativas semelhantes já estão sendo implementadas. A discussão sobre a presença de tecnologia nas escolas é ampla e cheia de nuances, e cabe agora aos educadores e estudantes encontrar o equilíbrio ideal entre o uso responsável da tecnologia e a preservação da interação humana. O comportamento dos alunos ao longo dos próximos meses poderá oferecer insights valiosos sobre a eficácia da medida e suas implicações no futuro da educação.
Com a colaboração dos alunos e o comprometimento dos educadores, o cenário educacional pode ser cada vez mais promissor, mostrando que, às vezes, desconectar é o primeiro passo para uma conexão mais significativa.