A produção da montadora chinesa Build Your Dreams (BYD) em Camaçari, Bahia, enfrenta um novo desafio. Dez mil kits de peças estão detidos no Porto de Salvador, ameaçando a operação da nova fábrica da empresa. Com planos de montagens no regime Semi Knocked-Down (SKD), a BYD se vê em uma situação complicada que pode atrasar a produção dos primeiros veículos no Brasil.
Implicações da retenção dos kits
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre-BA), Augusto Vasconcelos, explicou que a retenção das peças se deve a uma mudança no CNPJ fiscal da BYD, que transferiu sua sede operacional de Campinas, em São Paulo, para Camaçari. Isso é fundamental para que a fábrica baiana possa utilizar sua cota de importação. Vasconcelos garantiu que as questões pendentes são apenas alfandegárias e que o estado está trabalhando ativamente para resolver o impasse.
“Não há pendências em relação ao estado da Bahia, mas, sim, uma questão alfandegária. O nosso governador, Jerônimo Rodrigues, tem conversado com o Ministro de Desenvolvimento da Indústria e Comércio e outras autoridades para buscar uma solução rápida para esse impasse,” declarou o secretário, enfatizando a urgência da situação.
Impacto na produção de veículos
Com a retenção dos kits, cada um dos 10 mil kits, que serviriam para a montagem de veículos, representa uma significativa limitação na produção. O impacto é direto: se a situação não for resolvida rapidamente, a fábrica poderá enfrentar dificuldades em atender à demanda por seus modelos de veículos que já foram apresentados.
No dia 1° de julho, a BYD apresentou os primeiros carros montados em seu complexo fabril de Camaçari. Os modelos incluem o Dolphin Mini, que atualmente está sendo vendido por R$ 122 mil, e o híbrido Song Pro, que também foi introduzido ao mercado. Com a montagem dos veículos diretamente na Bahia, a expectativa é que o preço do Dolphin Mini caia para R$ 119 mil.
O futuro da fabricação na Bahia
A nova unidade da BYD foi estabelecida no Polo Petroquímico de Camaçari, em um espaço que anteriormente pertencia à Ford, que encerrou suas atividades no Brasil em 2021. A instalação foi vendida ao governo estadual em 2023 e marca um passo importante para o fortalecimento da indústria automobilística na Bahia.
Além da questão da retenção de peças, a BYD tem enfrentado controvérsias relacionadas às condições de trabalho de seus empregados. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, referiu-se a um episódio envolvendo trabalhadores chineses que foram resgatados de condições análogas à escravidão durante a construção da fábrica. Ele se comprometeu a seguir rigorosamente a legislação trabalhista brasileira e afirmou que todos os fornecedores envolvidos na situação foram extintos.
Questionamentos e acompanhamento do governo
O governador Jerônimo Rodrigues comentou que a situação dos trabalhadores é um assunto delicado, que deve ser tratado diretamente entre a BYD e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Ele garantiu que o Governo do Estado está acompanhando de perto os desdobramentos desse caso e suas repercussões sobre a imagem da montadora.
A importância da BYD para a economia local
Com a expectativa de que a produção dos primeiros modelos nacionais comece nas próximas semanas, os olhos estão voltados para a resolução das questões enfrentadas pela BYD. A operação na fábrica de Camaçari não é apenas crucial para a empresa, mas também para a economia local, com a criação de empregos e a movimentação do mercado automotivo na Bahia.
O desejo da empresa, do governo e da população é que, em breve, a retenção das peças se torne apenas uma história do passado, permitindo que a produção de veículos siga em frente, reafirmando a presença da BYD e do Brasil no competitivo mercado automobilístico. A esperança é que as negociações avancem rapidamente, garantindo a retomada da produção e o fortalecimento da indústria na região.
Acompanhemos, portanto, os desdobramentos desta situação, que tem o potencial de impactar tanto a BYD quanto a indústria automobilística brasileira como um todo.