A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, na última sexta-feira (29), José Marcos Chaves Ribeiro, ex-motorista da socialite Regina Lemos, que era considerado foragido desde novembro de 2024. Ele é réu em um complexo caso que envolve tentativa de feminicídio, sequestro, cárcere privado e outras graves acusações, e sua prisão pode abrir novas investigações sobre um esquema criminoso que, segundo as autoridades, poderia envolver outras pessoas.
Circunstâncias da prisão
José Marcos foi capturado por policiais da 12ª DP (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon) em São Conrado, após permanecer foragido por cerca de 10 meses. De acordo com as investigações, ele se escondeu em Minas Gerais e também na favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Durante a prisão, foi encontrado portando um celular roubado, o que levanta questões sobre suas atividades enquanto estava foragido.
O delegado Ângelo Lages, que lidera as investigações, afirmou que a detenção de Ribeiro é crucial para desmantelar uma rede maior de suspeitos associados à dilapidação do patrimônio de Regina Lemos. “Sabemos que pelo menos oito pessoas participaram do esquema. A partir de agora, iremos seguir todo o fluxo de dinheiro para identificar as ações de cada um deles”, comentou Lages.
Histórico de abuso e usurpação de bens
O caso de José Marcos é particularmente chocante, dado que Regina Lemos, viúva do empresário Nestor Gonçalves, fundador da marca de cartas de baralho Copag, acusa o ex-motorista de tê-la mantido isolada em seu apartamento por uma década. João Chamarelli, amigo da vítima, identificou José Marcos quando foi à casa de Regina e encontrou o réu lá, afirmando ser funcionário da família.
Em 2021, uma escritura de união estável foi registrada entre eles, mas existem alegações de que José Marcos usou desse documento para administrar os bens de Regina, que já era idosa e apresentava sinais de demência. Recentemente, o Estado havia nomeado um curador para gerenciar os bens de Regina, uma vez que José Marcos já havia perdido tal responsabilidade devido às graves acusações contra ele.
Uma vida sob controle
Durante sua relação com Regina, José Marcos alega que cuidava dela, dizendo que os dois viviam juntos, enquanto a vítima contradiz essa versão, afirmando que foi mantida em cárcere. A situação é ainda mais complexa porque a acusação de feminicídio surge de um incidente em 2021, quando Regina foi internada com lesões, sem que a família fosse informada. Assim, as autoridades continuam investigando as circunstâncias exatas que cercam esse trágico episódio.
Repercussões e o futuro das investigações
O caso já atraiu grande atenção da mídia, especialmente após reportagens do programa Fantástico, que expuseram o contexto em que Regina viveu. A prisão de José Marcos não apenas trouxe à tona novos elementos do crime, como também suscita questões sobre a proteção de idosos e a necessidade de supervisionar relações que podem levar ao abuso e à manipulação patrimonial.
A defesa de José Marcos declarou que ele é inocente e que existem “múltiplos fatos ainda desconhecidos pela sociedade”. A expectativa agora é de que o caso continue a se desdobrar à medida que a polícia busca outros envolvidos e tenta recuperar o patrimônio dissipada ao longo dos anos. Para o delegado Ângelo Lages, “essa prisão é fundamental para entender e responsabilizar todos os que participaram da dilapidação do patrimônio de Regina”. As investigações prometem trazer mais revelações sobre esse angustiante episódio, enquanto a defesa de José Marcos busca esclarecimentos que possam levar à sua absolvição.
Por fim, resta ao judiciário decidir os próximos passos neste intrincado caso. As autoridades parecem determinadas a encontrar justiça para Regina Lemos, que, segundo familiares e amigos, foi vítima de um esquema bem orquestrado de controle e manipulação.