Às vésperas do julgamento que pode definir o futuro político de Jair Bolsonaro e outros sete réus, o clima entre as defesas é de crescente pessimismo. Com o início das sessões marcado para daqui a quatro dias no Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados expressam preocupação com a falta de espaço para a absolvição.
A situação atual das defesas
Em conversas reservadas, os advogados afirmam que não há perspectiva otimista para seus clientes. A maioria dos especialistas e advogados envolvidos no caso reconhece que a absolvição parece uma possibilidade remota, dado o cenário atual. Embora fosse um desejo dos réus e suas equipes, a realidade se mostra mais complicada, refletindo a gravidade das acusações e a natureza sensível do julgamento.
As preocupações são amplas e se estendem além do resultado imediato do julgamento. Outro ponto de apreensão é a possibilidade de um pedido de vista do ministro Luiz Fux. Tal pedido poderia adiar a conclusão do julgamento para 2026, o que alimenta ainda mais a insegurança nas defesas. Contudo, essa expectativa também não anima os advogados, que acreditam que o tempo para essa manobra já é escasso.
Impactos de uma possível condenação
Um dos advogados que está à frente do caso indicou que os últimos recursos devem ser julgados em um prazo máximo de dois meses. Essa previsão leva a um cenário em que Bolsonaro poderia enfrentar uma condenação definitiva já em novembro deste ano. Caso se confirme essa linha do tempo, o que seria um desfecho angustiante para a defesa, prepara-se também o terreno para um encaminhamento posterior.
As defesas já estão considerando a possibilidade de recorrer a cortes internacionais, como a Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, caso o resultado do STF não seja favorável. Essa é uma estratégia que poderia abrir novas possibilidades durante um tempo perdido em instâncias internas brasileiras.
Recursos internacionais e estratégias de defesa
Os advogados já têm argumentos prontos para esses recursos no exterior. Eles pretendem alegar cerceamento de defesa e a ausência de duplo grau de jurisdição, como um modo de contornar os obstáculos que o andamento do caso pode ter colocado. Um aspecto crucial dessa argumentação é que, por já ter começado no STF, os réus não têm outra instância na justiça brasileira a quem apelar.
A situação atual, marcada pelo desânimo entre os defensores, escancara um momento crítico na política brasileira. A sociedade civil e, em particular, os apoiadores e adversários de Bolsonaro, estão observando atentamente os desdobramentos desse julgamento, que promete ser emblemático no contexto democrático do país.
Os próximos dias serão decisivos para a definição do futuro legal de Bolsonaro e dos outros réus, o que torna o cenário ainda mais tenso. Diante de um ambiente repleto de incertezas, continua a esperança da defesa de que elementos inesperados possam surgir, mas a expectativa é que os desafios se mostrem ainda maiores à medida que os dias se aproximam do julgamento decisivo.
Independentemente da virada judicial, a repercussão deste processo no STF certamente influenciará o panorama político brasileiro e a relação da sociedade com suas instituições. O desejo de justiça e a demanda por respostas construirão a narrativa de um capítulo essencial na história recente do Brasil.