Brasil, 29 de agosto de 2025
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Percepção negativa sobre o rumo do Brasil e EUA empata em pesquisa

Estudo revela que 63% da população brasileira acredita que o país vai na direção errada; as preocupações sociais permanecem em alta.

O Brasil chegou a um ponto de inflexão em sua percepção social, equiparando-se aos Estados Unidos em uma pesquisa recente que aponta que 63% da população acredita que o país está seguindo na direção errada. Esse dado faz parte do relatório de agosto da pesquisa “What worries the world”, realizada pelo instituto Ipsos, que também aponta um aumento nas preocupações tanto no Brasil quanto nos EUA, embora por motivos diferentes.

Um momento crítico nas relações Brasil-EUA

Os dados da pesquisa revelam um aumento de 4 pontos percentuais na percepção negativa dos brasileiros em relação ao rumo do país, acompanhando uma queda na avaliação positiva nos Estados Unidos, que registraram um crescimento de 6 pontos no conjunto de pessoas que acreditam que o país está se movendo em uma direção desfavorável. Este fenômeno reflete um estado de descontentamento palpável, conforme registrado por ipsos.

Além disso, analistas da política externa brasileira classificam o atual momento como o mais crítico nas relações bilaterais entre Brasil e EUA, destacando a falta de comunicação efetiva entre os governos. A ingerência percebida dos Estados Unidos na política interna brasileira, especialmente sob a administração de Donald Trump, é motivo de preocupação, gerando um sentimento de crise que nunca foi tão evidente.

Preocupações sociais do brasileiro

O estudo também revela que as principais preocupações da população brasileira estão centradas em problemas sociais e estruturais, que se mantêm estáveis em comparação ao mês anterior. Os dados mostram que crime e violência lideram a lista com 42% de preocupação, seguidos por pobreza e desigualdade social com 35%, saúde com 34%, corrupção financeira e política com 33% e impostos com 31%.

Aumento da preocupação com impostos

Um dado que chama a atenção é o aumento significativo da preocupação com impostos, que cresceu 7 pontos percentuais em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Marcos Calliari, CEO da Ipsos, destaca que essa preocupação pode estar relacionada aos debates públicos sobre reformas tributárias e notícias sobre aumentos de tributos, elevando a sensibilização do público acerca do tema.

A ampla cobertura na mídia sobre tarifas alfandegárias, como o famoso “tarifaço” de 50% implementado pelos EUA, também contribui para a percepção negativa, uma vez que afeta diretamente tanto o mercado quanto o consumidor brasileiro, aumentando a pressão tributária sentida pela população.

Comparativo com as preocupações nos EUA

Nos Estados Unidos, as preocupações econômicas dominam o cenário. A inflação continua a ser a maior fonte de temor, com 38% da população expressando insegurança quanto a este tema. A corrupção financeira e política vem na sequência, com 27%, seguidas por questões de saúde, que registraram um crescimento de 6 pontos percentuais nos últimos meses.

Essa disparidade entre os tipos de preocupações em cada país mostra diferenças culturais e estruturais profundas, além da influência dos momentos políticos por que ambos os países estão passando.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa “What worries the world” foi realizada por meio de um painel online com 25.177 pessoas de 29 países, entre 25 de julho e 8 de agosto. No Brasil, cerca de mil pessoas entre 16 e 74 anos participaram da pesquisa. Porém, o Ipsos ressalta que a amostra não representa necessariamente a população em sua totalidade, pois é constituída por indivíduos mais conectados, geralmente localizados em centros urbanos e com maior poder aquisitivo e nível educacional do que a média nacional.

Com esse panorama, a pesquisa evidencia um cenário de inquietação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, refletindo a complexidade das relações internacionais e as expectativas da sociedade frente aos desafios locais e interacionais que ambos os países enfrentam.

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