Brasil, 29 de agosto de 2025
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Morte de estudante brasileiro na Bolívia gera comoção e investigação

Família de Igor Rafael acredita em surto psicótico e ação violenta de guardas; caso ainda é investigado pela polícia local.

A trágica morte do estudante brasileiro Igor Rafael Oliveira Souza, de 32 anos, na última terça-feira (26), em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, deixou a família em luto e gerou intensa repercussão nas redes sociais. Igor, que estava no último período do curso de Medicina, vivia na Bolívia desde 2015 e, segundo relatos, estava enfrentando desafios sérios de saúde mental.

O contexto da morte de Igor Rafael

Igor foi avistado em estado de confusão nas ruas de Santa Cruz. Câmeras de segurança registraram o estudante entrando em uma papelaria, onde aparentava estar desorientado. Testemunhas relataram que guardas de uma escola alemã próxima foram chamados para contê-lo. Em outras filmagens, momentos depois, Igor aparece caindo na calçada, já sem vida.

A família de Igor acredita que ele tenha sofrido um surto psicótico, o que pode ter sido exacerbado por sua luta contra a depressão e o uso de substâncias. A mãe de Igor, Neidimar Oliveira Souza, revelou em entrevista à TV Globo que, apesar de ter tentado providenciar ajuda para o filho, a situação chegou a um ponto crítico. “A saúde mental dele foi muito afetada e ele precisava de uma ajuda. A gente estava providenciando para que ele viesse embora e fizesse um tratamento aqui no Brasil”, lamentou Neidimar.

Repercussão e apoio da família

A morte de Igor tem gerado grande comoção, especialmente entre amigos e familiares. Neidimar, de coração partido, afirmou que os guardas que contiveram Igor podem ter sido responsáveis pela sua morte. “Ele surtou pedindo ajuda, e isso terminou em tragédia. Estou buscando justiça”, disse a mãe, que planeja viajar à Bolívia para buscar esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte do filho.

Um relato de uma ex-namorada de Igor, que reside na Bolívia, sugere que os guardas amarraram os braços dele antes que uma ambulância chegasse ao local, onde Igor já estava sem pulsação. Esse tipo de ação levanta questões sobre o tratamento dispensado a pessoas em estado vulnerável e a conduta dos agentes de segurança.

Desafios financeiros e busca por justiça

Além do luto, a família enfrenta grandes desafios financeiros para trazer o corpo de Igor de volta ao Brasil. Neidimar anunciou que está buscando ajuda para arrecadar os R$ 26 mil necessários para o translado e o funeral do filho. Até agora, uma vaquinha online conseguiu reunir pouco mais de R$ 4,5 mil. “Estou colocando todas as minhas forças para não deixar meu filho aqui. É uma situação desesperadora”, desabafou ela.

A mãe de Igor não poupou esforços para alertar as autoridades brasileiras sobre a necessidade de intervenções em casos como o de seu filho. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou um decreto que restringia a assistência financeira do governo federal em casos de morte de brasileiros no exterior, criando possibilidades para cobrir custos de traslado em situações de comoção pública. Contudo, muitas famílias ainda enfrentam a dura realidade de ter que arcar sozinhas com despesas exorbitantes.

O que dizem as autoridades?

Até o fechamento desta matéria, o Ministério das Relações Exteriores e o Consulado-Geral do Brasil em Santa Cruz de La Sierra não se manifestaram oficialmente sobre o caso e as alegações de violência contra Igor. Essa falta de resposta gera um sentimento de abandono e frustração entre a família e a comunidade brasileira, que espera orientação e apoio do governo.

Com a tragédia, o caso de Igor Rafael Oliveira Souza se tornou um triste lembrete dos desafios que muitos estudantes enfrentam no exterior, especialmente aqueles que lidam com problemas de saúde mental. As questões em torno de sua morte levantam não apenas a necessidade de um tratamento mais humano e respeitoso para pessoas vulneráveis, mas também um chamado à ação para que as políticas públicas garantam proteção e assistência a brasileiros que vivem ou estudam fora do país.

A estrada até a justiça pode ser longa, mas Neidimar e sua família estão determinados a lutar para que a morte de Igor não tenha sido em vão. “Quero que ele tenha paz e justiça”, concluiu a mãe, que busca apoio da comunidade para enfrentar essa batalha.

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