Em uma recente entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que enfrenta acusações relacionadas aos eventos de 8 de janeiro. Lula afirmou que Bolsonaro “tem que provar sua inocência” ao invés de buscar uma anistia e que tem “coisa melhor para fazer” do que acompanhar o processo judicial.
A posição de Lula sobre o julgamento
Questionado sobre se assistiria ao julgamento, Lula foi categórico: “Não vou assistir ao julgamento. Tenho coisa melhor para fazer. Eu não sei como termina (o julgamento). Eu acho que ele vai ser julgado com base nos autos,” destacou. O presidente brasileiro ainda completou que, caso Bolsonaro tenha cometido crimes, será punido, e se não cometeu, será absolvido, enfatizando a importância do devido processo legal.
Anistia não é o caminho
Durante a conversa, Lula também criticou a busca dos bolsonaristas por uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para o ex-presidente e outros responsáveis pelos atos golpistas. Ele ressaltou que não deveria haver a expectativa de perdão antes de uma condenação: “Ele (Bolsonaro) não foi nem julgado, já está querendo anistia? Ele está dizendo que já é culpado e quer ser perdoado?”. Para Lula, essa postura é inaceitável e remete à necessidade de que Bolsonaro prove sua inocência em relação a diversas acusações, incluindo planos de ataque durante os eventos de 8 de janeiro.
A defesa do julgamento em instâncias superiores
Lula já havia defendido a importância do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e comparou a situação brasileira ao ataque ao Capitólio nos Estados Unidos. Em suas palavras, se o ataque tivesse ocorrido no Brasil, Donald Trump seria réu na Justiça brasileira. O presidente enfatizou a soberania brasileira e a organização democrática do país: “Nós aprendemos que somos um povo orgulhoso, e quem manda no Brasil é o povo brasileiro e mais ninguém”.
A questão do mandato de Eduardo Bolsonaro
Além disso, Lula abordou a situação do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se encontra fora do Brasil e que pleiteia manter seu mandato mesmo longe do país. O presidente acredita que Eduardo não deveria continuar exercendo sua função na Câmara enquanto estiver nos Estados Unidos, e disse que já conversou com o presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre a necessidade de cassar o mandato do deputado. “É extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro, porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país,” afirmou Lula.
Impacto das sanções dos EUA e as big techs
Lula criticou também as argumentações de Eduardo sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, reforçando que as justificativas norte-americanas são “totalmente inverídicas”. Ele destacou a importância de regulamentar as plataformas de tecnologia que atuam no Brasil, afirmando que, na próxima semana, o governo irá apresentar ao Congresso uma proposta para regular essas empresas de forma eficaz. O presidente deixou claro que o objetivo é proteger os consumidores brasileiros e prevenir abusos.
Encaminhamentos para o Congresso
O debate sobre a regulamentação das big techs ocorre em um contexto de crescente atenção internacional sobre os riscos associados ao uso de dados pessoais e à disseminação de informações falsas. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, reiterou que o governo pretende estabelecer medidas concretas para proteger os direitos dos consumidores contra as práticas abusivas que podem ocorrer por parte dessas empresas de tecnologia. A proposta já inclui a regulação para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais, marcada como uma prioridade no trabalho do governo.
As declarações de Lula revelam um momento tenso na política brasileira, onde as relações entre os antigos e novos governantes estão em franca disputa. O julgamento de Bolsonaro e as repercussões das ações dele junto a seus apoiadores continuam a ser um ponto crucial no cenário político nacional.