VENEZA, Itália (AP) — Julia Roberts e o cineasta Luca Guadagnino enfrentaram perguntas diretas sobre a cumplicidade e o impacto que suas obras podem ter no movimento feminista durante uma coletiva de imprensa para “After the Hunt”, realizada na última sexta-feira, no Festival de Cinema de Veneza.
O filme, ambientado no universo da educação superior, tem Roberts no papel de uma popular professora de filosofia, cuja história gira em torno de uma acusação de conduta inadequada. Sua mentorada, interpretada por Ayo Edebiri, alega que seu amigo e colega, vivido por Andrew Garfield, ultrapassou limites. O roteiro de Nora Garrett não oferece soluções simples.
Um dos repórteres questionou Roberts se ela acreditava que o longa prejudica o movimento feminista e o progresso do #MeToo. “Não necessariamente acho que revive um antigo argumento de mulheres sendo colocadas uma contra a outra”, disse Roberts.
“After the Hunt” foi exibido para a imprensa e profissionais da indústria na noite de quinta-feira, um dia antes de sua estreia oficial. Embora as críticas estejam embargadas até o início da estreia mundial, o filme já gera debates acalorados durante o festival.
Para Roberts, que brincou ao dizer que adorava “as perguntas suaves no início da manhã”, o importante é as conversas que o filme provoca. O slogan do cartaz afirma que “nem tudo deve fazer você se sentir confortável”.
“Era assim que queríamos que os espectadores se sentissem. Todos saem com diferentes sentimentos, emoções e pontos de vista. E você percebe o que acredita firmemente e quais são suas convicções, pois nós agitamos tudo isso para você. Então, você é bem-vindo”, acrescentou.
Conflitos de Verdades e a Arte de Conversar
Guadagnino também comentou, afirmando: “É assim que vemos o choque de verdades. Não se trata de criar um manifesto para reviver valores antiquados”. Roberts completou que eles não estão fazendo declarações com “After the Hunt”. Ela prefere pensar que o filme é como uma câmera que caiu do céu para capturar esses personagens em um momento complicado em que todos parecem estar mentindo para si mesmos e para os outros.
“Estamos perdendo, de certa forma, a arte de conversar na humanidade atualmente”, afirmou Roberts. “Se fazer este filme faz alguma coisa, é trazer todo mundo para conversar.”
O filme, que será lançado nos cinemas da América do Norte pela Amazon MGM Studios no dia 10 de outubro, utiliza uma fonte familiar em seus créditos de abertura: a tipografia estilo Windsor, famosa em alguns dos filmes mais icônicos de Woody Allen, como “Annie Hall” e “Crimes e Mistérios”. Quando perguntado sobre essa escolha, Guadagnino respondeu de forma bem-humorada: “Por que não?”
Ele também elaborou sobre essa decisão, afirmando que, ao trabalhar em “After the Hunt”, não conseguiam parar de pensar o quão conectado o filme estava à “grande obra de Woody Allen” entre 1985 e 1991.
“Achei que era uma referência interessante, considerando um artista que, de certa forma, tem enfrentado problemas sobre sua existência e nossa responsabilidade em trabalhar com um artista que amamos”, disse.
Um Encontro com Veneza
Embora o filme não esteja competindo na seleção principal do festival, o que significa que não estará concorrendo a prêmios no dia 6 de setembro, é um retorno a um ambiente familiar para Guadagnino. No ano passado, ele trouxe “Queer,” com Daniel Craig, e, anos atrás, apresentou “Bones & All,” com Timothée Chalamet. Seu filme de triângulo amoroso no tênis, “Challengers,” com Zendaya, deveria abrir Veneza em 2023, mas as greves em Hollywood afetaram muito o festival daquele ano e o filme foi retirado.
Roberts também não é uma novata em Veneza, tendo trabalhado na cidade no passado, mas esta marca sua primeira vez no festival. “É tão mágico”, afirmou Roberts sobre a cidade, embora tenha acrescentado que “não fiz nada fora do trabalho” durante essa viagem.
Três dias após o início da 82ª edição do Festival de Cinema de Veneza, o evento está a todo vapor, com muitas estreias importantes por vir, incluindo “Frankenstein,” de Guillermo del Toro, “The Smashing Machine,” de Benny Safdie, e “A House of Dynamite,” de Kathryn Bigelow.
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