Após quase duas décadas, os aeroportos dos Estados Unidos estão revisando suas rigorosas regras de segurança. Desde o mês passado, passageiros não precisam mais tirar os calçados na triagem, e a limitação de líquidos a 100 ml pode ser flexibilizada em breve, sinalizaram autoridades.
Novas diretrizes na triagem de segurança
A administração de Segurança dos Transportes (TSA) anunciou que, a partir de agora, os viajantes não precisam mais despir os calçados para passar pelas máquinas de raios-X. Além disso, sinais de possíveis mudanças na limitação de líquidos indicam que a restrição de recipientes de 100 ml pode ser alterada, embora detalhes sobre a aplicação ainda não tenham sido divulgados.
— Essas mudanças podem parecer pequenas, mas, no conjunto, terão impacto significativo na experiência dos passageiros — declarou Adam Stahl, administrador interino adjunto da TSA, em entrevista na semana passada, antes do feriadão do Dia do Trabalho.
Reforma nas regras de laptops e avaliações biométricas
Embora detalhes sobre possíveis alterações na regra dos líquidos ainda sejam antecipados, Stahl afirmou que a agência aguarda um anúncio oficial, que é prioridade para a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. A análise também inclui a retirada de laptops das bagagens em triagem.
Além dessas mudanças, a TSA lançou um programa piloto que permite que alguns viajantes internacionais em conexão nos EUA passem pela triagem durante as escalas, inicialmente em voos de Londres. A expansão do uso de biometria para verificar identidades também faz parte da estratégia de modernização do sistema.
Contexto e impacto das mudanças na segurança aérea
As regras atuais, estabelecidas após os atentados de 11 de setembro de 2001, tornam a viagem mais demorada, com procedimentos que incluem chegar às aeroportos com várias horas de antecedência, evitar calçados complicados e despachar bens pessoais.
Para alguns, as medidas pareceram excessivas, levando empresas como a Clear Secure Inc. a oferecerem serviços de triagem mais rápida mediante pagamento. Os ajustes atuais, contudo, prometem agilizar o fluxo de passageiros, especialmente em eventos de grande porte, como a Copa do Mundo de 2026 e as Olimpíadas de 2028.
Preparação tecnológica e desafios futuros
Com o aumento do uso de tecnologias avançadas, como máquinas de tomografia computadorizada capazes de criar imagens 3D, o governo busca acelerar a implementação dessas soluções, que já estão em 285 aeroportos, mas ainda não atingiram a totalidade. A previsão é que o processo só esteja completo em 2043, e esforços para acelerar essa integração estão em andamento.
A expansão do uso de dados biométricos também é uma prioridade, incluindo o projeto de portões eletrônicos que realizam verificação facial automáticamente, embora esse avanço gere debates sobre privacidade e controle de informações pessoais.
Segurança versus conveniência
Especialistas destacam que a evolução das regras busca equilibrar segurança e fluidez no fluxo de passageiros. Afinal, um excesso de restrições pode desestimular as viagens, enquanto medidas insuficientes podem colocar em risco a segurança.
A recente revisão nas normas demonstra uma mudança importante na política de segurança dos EUA, alinhando-se a outros centros globais e refletindo avanços tecnológicos que permitem maior eficiência na identificação de ameaças.
Mais detalhes sobre as futuras regras e o cronograma de implementação devem ser divulgados em breve pela TSA, em uma tentativa de modernizar ainda mais o sistema de segurança aeroportuária americana.
Fonte: O Globo