Brasil, 29 de agosto de 2025
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Comparação entre Jacob Chansley e Jair Bolsonaro volta a ser destaque

Com rosto pintado, peles de urso e chifres numa fantasia de viking, Jacob Chansley, conhecido como Jake Angeli, se tornou um símbolo da invasão ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021. A intenção do movimento naquela época era impedir a confirmação da vitória do presidente democrata Joe Biden. Na última quinta-feira (28), a imagem de Chansley voltou a ser pauta, quando a revista britânica “The Economist” fez uma comparação entre ele e o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL), que começará a ser julgado no dia 2 de setembro por sua suposta participação em uma trama golpista no Brasil.

A lição de democracia do Brasil

Em sua reportagem, “The Economist” destaca que o Brasil oferece uma valiosa lição de democracia para uma América que, segundo a publicação, está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária. A revista fez referências à semelhança entre os eventos recorrentes no Brasil e nos Estados Unidos, enfatizando como líderes polarizadores tentaram incitar seus apoiadores a se rebelar contra resultados eleitorais.

Jacob Chansley, muitas vezes denominado “Xamã QAnon” ou “Lobo de Yellowstone”, é um veterano da marinha dos EUA, ator, dublador e ativista de extrema direita, que acredita que suas vestes lhe conferem “forças do xamanismo”. Suas tatuagens, que trazem símbolos nórdicos, reforçam a sua imagem como símbolo dos protestos pró-Trump, onde ganhou notoriedade ao sentar na cadeira da presidência do Senado durante a invasão ao Capitólio.

A crença do QAnon, à qual Chansley está vinculado, é que Donald Trump, que esteve no poder, luta contra uma conspiração de “extrema-esquerda” composta por adoradores de Satanás e pedófilos. Após sua prisão em 2021, Chansley foi condenado a 41 meses de prisão, dos quais passou por 27 em cárcere e 10 em solitária. Em 2023, com a volta de Trump à presidência, Chansley recebeu um indulto, junto com mais de 1.500 pessoas condenadas pela invasão.

O perdão de Trump gerou reações divididas. Chansley, que tinha uma conta ativa nas redes sociais, comemorou seu indulto com postagens que refletiam seu alívio e boas expectativas: “Acabei de receber a notícia do meu advogado: fui perdoado. Obrigado, presidente Trump. Agora, vou comprar algumas armas. Eu amo esse país. Deus salve a América”, postou na época.

Bolsonaro como ‘Trump dos Trópicos’

A revista “The Economist” trouxe em sua capa uma representação de Bolsonaro como “viking” com as cores da bandeira brasileira, ressaltando sua trajetória política e a recente abertura do julgamento. Chansley é comparado a Bolsonaro, que, assim como o ex-presidente dos EUA, desafia a ordem democrática ao incitar protestos e manifestações violentas. O texto menciona que as similaridades são inegáveis, especialmente entre os eventos de 8 de janeiro de 2023 no Brasil e 6 de janeiro de 2021 no Capitólio americano.

De acordo com a publicação, o “golpe tentado por Jair Bolsonaro fracassou por incompetência, e não por intenção”, prevendo que ele e seus aliados enfrentarão consequências legalmente significativas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, as ações da família Bolsonaro, como as do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, levaram o governo americano a impor tarifas altas sobre produtos brasileiros, em repetidas ocasiões, utilizando a Lei Magnitsky contra indivíduos associados a parte do governo de Bolsonaro.

The Economist conclui afirmando que o Brasil se destoa de outros países, oferecendo uma aula de “maturidade democrática” ao responsabilizar aqueles que tentaram um golpe em sua democracia, a qual ainda mantém vivas as memórias da ditadura militar. A publicação ressalta: “Um dos motivos pelos quais o Brasil promete ser diferente de outros países é que a memória da ditadura ainda está fresca”, o que fortalece a posição do STF como um defensor da democracia contra o autoritarismo.

À medida que se aproxima o julgamento de Jair Bolsonaro, a comparação com figuras como Jacob Chansley evidencia não apenas as tensões políticas nas duas nações, mas também serve como um alerta sobre o que ocorrerá nas democracias que enfrentam crises semelhantes.

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