Brasil, 30 de agosto de 2025
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Cenas de oração e controvérsia após ataque a igreja católica em Minneapolis

Morte de duas crianças em tiroteio em Minneapolis gera vigílias e debates sobre o papel da oração na sociedade

Após um homem disparar mais de cem tiros contra uma igreja católica em Minneapolis, matando duas crianças e ferindo 17, milhares de fiéis participaram de uma vigília na arquidiocese,rezando por vítimas e famílias, com a presença do arcebispo Bernard Hebda.

O papel da oração em momentos de tragédia

“Sabemos que há muitas outras ações necessárias na sociedade cívica, mas o que fazemos nesta noite é orar”, afirmou Hebda durante a vigília na Academia de Holy Angels, a duas milhas da igreja de Annunciation, onde ocorreu o ataque. “Buscamos palavras que expressem dor indescritível e símbolos que possam trazer esperança”, completou.

Durante toda a nação, católicos e demais fiéis realizaram seus próprios momentos de oração ou vigílias, buscando conforto e conexão com Deus em meio ao sofrimento. Entretanto, algumas figuras públicas e políticos criticaram duramente a prática da oração, alegando que ela não resolve problemas sociais como a violência armada.

Controvérsia: orar é suficiente?

“Cansei de ouvir que isso é normal — e vocês também deveriam. Pensamentos e orações não vão solucionar nada”, declarou a deputada Brittany Pettersen, democrata do Colorado, em postagem no X (antigo Twitter).

Já o deputado Maxwell Frost, também do Partido Democrata, afirmou que “estas crianças provavelmente estavam orando quando foram assassinadas na escola católica”. Frost acrescentou: “Chega de pensamentos e orações”.

Jen Psaki, ex-porta-voz do governo Obama e Biden, reforçou a mesma linha, escrevendo no X que “oração não é suficiente”. “Ela não acaba com tiroteios em escolas, não garante segurança aos pais e não devolve as crianças”, afirmou.

Por que a oração é central para os católicos em momentos de dor

Nos dias seguintes ao ataque, fiéis católicos e cristãos reforçaram a importância da oração, contrapondo-se às críticas de que ela seria uma atitude passiva. A Universidade Franciscana, por exemplo, manifestou que “a oração não é uma fuga da realidade”, mas um encontro com Cristo, que também foi vítima de injustiça.

Em comunicado, a instituição afirmou que continuará a rezar, pois acredita que somente Deus traz justiça, cura e paz. A vigília realizada na noite de quinta-feira contou com a presença de cerca de 500 estudantes, sob a orientação do presidente da universidade, Padre David Pivonka.

Padre David Pivonka, TOR. Crédito: Franciscan University via Flickr
Padre David Pivonka, TOR. Crédito: Franciscan University via Flickr

Pivonka destacou que, diante de tragédias, a oração possui impacto real, especialmente ao oferecer “paz e presença do Senhor” às vítimas e às famílias. Ele também ressaltou a importância de os fiéis orarem pelos líderes políticos, pedindo coragem e sabedoria para ações concretas.

Os bispos de Minnesota, incluindo o arcebispo John C. Nienstedt, também atuaram, pedindo maior segurança nas escolas e recursos de saúde mental, além da oração. O bispo Michael Burbidge, de Arlington, Virginia, afirmou que “mais de uma ação é necessária”, incluindo segurança, recursos e engajamento político.

Reconciliação entre fé e ação social

Para o bispo Roberto Barron, oração e ação moral caminham juntas: “A oração é a elevação da alma a Deus, especialmente em momentos de dor intensa. Não são conceitos antagônicos.”

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, também católico, afirmou que “oramos porque nossos corações estão partidos, porque Deus escuta e atua de formas misteriosas”. Ele questionou duramente as críticas à oração, destacando seu valor na sociedade.

Ao mesmo tempo, a discussão reacende um debate importante sobre o papel da fé na política e na cultura, especialmente após tragédias que chocam o país.

Fonte: Catholic News Agency.

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