No ano de 2025, a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa celebram o 1700º aniversário do Concílio de Nicéia, um marco fundamental na história do cristianismo e na busca pela unidade entre as distintas vertentes da fé cristã. A ocasião foi marcada por pronunciamentos do cardeal Kurt Koch, ao prefecto da Congregação para a Promoção da Unidade Cristã, e do patriarca Bartholomeu I, líder da Igreja Ortodoxa de Constantinopla.
A importância do Concílio de Nicéia para a unidade cristã
Durante sua participação no Encontro de Rimini, realizado de 22 a 27 de agosto, os líderes religiosos destacaram o papel central do concílio na formulação do credo cristão e na definição das bases da fé. “Os padres do concílio professaram sua fé em um único Deus, o Pai todo-poderoso”, explicou Koch, ressaltando que esse momento foi decisivo para estabelecer a doutrina de Jesus como “consubstancial com o Pai”.
Segundo Koch, o Concílio de Nicéia foi realizado em um período de intensas disputas doutrinais, especialmente contra o arianismo, que rejeitava a divindade plena de Cristo. “O credo niceno, que reafirmou a fé em Jesus como Filho de Deus, é um símbolo comum a várias tradições cristãs, incluindo as igrejas oriundas da Reforma, fortalecendo assim o seu valor ecumênico”, afirmou.
O esforço pela unidade e o papel da oração
O cardeal Koch destacou que a verdadeira unidade da Igreja depende da harmonia no conteúdo da fé: “A unidade somente é possível na medida em que todos professamos a mesma verdade fundamental, transmitida através do batismo e do ensinamento apostólico”. Ele reforçou ainda que o movimento ecumênico nasceu como uma iniciativa de oração, base da busca por reconciliação cristã.
Bartholomeu I reforçou essa mensagem, salientando que, para que o cristianismo seja credível, é imprescindível celebrar a Ressurreição no mesmo dia. “Estamos trabalhando junto com o Papa Francisco na avaliação de uma data comum para a Páscoa, com o objetivo de fortalecer a nossa unidade”, afirmou o patriarca, destacando os benefícios pastorais dessa iniciativa para famílias e comunidades mistas de fé.
O líder ortodoxo ainda ressaltou que a busca pelo consenso sobre a data pascal é essencial para marcar a importância do Cristo ressuscitado na fé cristã, remetendo ao entendimento clássico de que “sem a Ressurreição, o cristianismo perderia sua essência”.
Diálogo e sinodalidade como caminhos para a reconciliação
Bartholomeu enfatizou que a sinodalidade — o caminho conjunto de discernimento e decisão na Igreja — é fundamental para o avanço do diálogo ecumênico. “Documentos como ‘A Igreja rumo a uma visão comum’ indicam que a sinodalidade é uma dimensão revelatória da própria natureza da Igreja”, afirmou, destacando a importância de estudos teológicos e da prática de escuta mútua.
Ao concluir, o patriarca afirmou que o estudo conjunto que se promove atualmente é um passo importante para fortalecer a caminhada rumo à unidade plena, confirmando que “a história nos ensina que o desenvolvimento da sinodalidade deve ser feito com rigor teológico e prudência pastoral, aprendendo também com o exemplo do Concílio de Nicéia”.
Para mais detalhes, acesse a matéria original publicada pela ACI Stampa aqui.