Os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, considerados foragidos pela Justiça brasileira, participaram de uma audiência pública da Câmara dos Deputados, ocorrida na última quinta-feira (28). O evento abordou os atos golpistas de 8 de janeiro e foi convocado pela Subcomissão de Fiscalização e Direitos dos Presos do 8 de Janeiro, ligada à Comissão de Segurança Pública da Casa Legislativa. Ambos se manifestaram via chamada de vídeo, cada um falando por aproximadamente dez minutos.
O papel da subcomissão e a presença dos foragidos
A audiência foi marcada por controvérsias. Apesar de o nome dos convidados foragidos não constar na descrição oficial da transmissão no YouTube, eles foram incluídos na sessão. O presidente da subcomissão, deputado federal Coronel Meira (PL-PE), que se mostrou bastante simpático ao chamado de Santos, permitiu que os parlamentares ouvissem o que quisessem. Meira afirmou aos presentes que a Câmara não deveria ser pautada por decisões externas, aludindo à imprensa e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Eduardo Bolsonaro e a articulação pela anistia
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também participou da reunião, tentando articular apoio internacional à anistia ao pai e atual preso político. A subcomissão foi criada com o objetivo de investigar supostas violações de direitos de acusados nos eventos do 8 de janeiro. Em um cenário político tenso, os parlamentares que convidaram os foragidos também estão entre os mais críticos ao governo atual.
Questionada sobre a presença dos foragidos, inicialmente, a Câmara mencionou que a participação de Allan e Eustáquio passaria por “análise jurídica” antes de ser autorizada. No entanto, a audiência seguiu em frente, e ambos participaram ativamente da discussão.
Declarações de Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio
Durante a reunião, Allan dos Santos declarou que vive “livre” nos Estados Unidos, enquanto Oswaldo Eustáquio, na Espanha, fez forte críticas ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes. Ambos questionaram os processos que enfrentam e defenderam a anistia, que Santos se referiu como uma resposta à “tirania do STF”. Santos até pediu pela votação do impeachment de Moraes, argumentando que ele não respeita o devido processo legal.
Cenário político de tensão
Aldo foi enfático ao afirmar que não desejava a morte ou prisão de Moraes, mas insistiu que ele deve responder por suas ações na justiça. “Espero que a Justiça brilhe novamente no Brasil”, destacou. As declarações de Santos e Eustáquio refletem a crescente polarização política no Brasil, especialmente entre grupos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e suas ideologias.
O contexto das investigações e as consequências políticas
Desde 2021, Allan dos Santos é alvo de investigações nos inquéritos sobre fake news e milícias digitais, impostos pelo STF, que consideram suas atividades nas redes sociais como antidemocráticas. A prisão preventiva de Santos foi decretada por suas ações consideradas ameaçadoras à democracia.
Por outro lado, Eustáquio encontrou refúgio na Espanha após solicitação de asilo, e também foi um dos alvos dos inquéritos. Em dezembro de 2022, o ministro Alexandre de Moraes, atendendo a um pedido da Polícia Federal, determinou sua prisão devido ao envolvimento em ações contrárias ao funcionamento das instituições democráticas do Brasil.
Denúncias e discursos inflamados
No decorrer da audiência, Eustáquio compartilhou sua experiência, alegando ter sido preso injustamente por denunciar “a trama de um golpe contra um capitão que não rouba e não deixa roubar”. Ele usou ainda a plataforma para fornecer seu número de celular, pedindo que investigadores entrassem em contato, e questionou diretamente a atuação de Moraes, citando derrotas do ministro nos tribunais espanhóis.
Ao final de sua fala, Eustáquio convocou parlamentares de direita a intercederem por outros membros do seu grupo, incluindo Carla Zambelli e Jair Bolsonaro, que já enfrentam julgamentos relacionados aos atos golpistas. “Estamos aqui, prontos para lutar por nosso país”, concluiu Eustáquio, ecoando o sentimento de resistência de uma parte significativa da sua base de apoio.
O cenário político brasileiro continua a ser desafiador e polarizado, com a audiência mostrando como a política na Câmara dos Deputados se entrelaça com questões judiciais e a luta por espaço no debate público. A presença dos foragidos na audiência é um símbolo da complexidade e tensão que marcam este momento histórico do Brasil.