Uma tragédia abalou a cidade de Araçatuba, em São Paulo, quando a mãe de um bebê de nove meses perdeu seu filho, Antony Gabriel Santos, devido a sintomas de intoxicação e desidratação. O ocorrido, no dia 25 de agosto de 2025, levantou questões sérias sobre a assistência médica recebida pelo pequeno, que passou pelo atendimento em várias unidades de saúde antes de sua morte.
A luta da mãe por justiça
Ana Vitória Santos de Almeida, de 23 anos, não consegue lidar com a perda de seu único filho. Em entrevista à TV TEM, Ana desabafou sobre a dor que sente e a revolta pela assistência médica que seu filho recebeu. “Tirou o meu bem mais precioso, não consigo dormir na minha casa. Eu confiei nas mãos deles e eles não deram o socorro que meu filho precisava”, afirmou.
Os problemas de saúde de Antony começaram na noite de sábado, 23, com episódios de vômito. Na madrugada de domingo, ele foi levado ao pronto-socorro, onde recebeu medicamento e foi liberado. Porém, ao retornar para casa, a situação se agravou, com diarreia constante e tosse incomum.
As visitas à UBS: relatos de negligência
Relatando sua experiência, Ana decidiu levar seu filho à unidade básica de saúde (UBS) do bairro Morada dos Nobres na manhã de domingo. Segundo a mãe, a médica que atendeu Antony não o examinou adequadamente, e apenas sugeriu que ele fosse hidratado com água e leite. “Em momento algum, eu pedi para ela medicar meu filho, eu queria que ela examinasse meu filho, pedisse o exame e hidratasse ele,” lamentou Ana.
O estado de saúde de Antony seguiu em deterioração, e Ana se viu obrigada a retornar ao pronto-socorro na tarde do mesmo dia, em busca de mais assistência. “Eu passei a madrugada inteira acordada, dava água e leite, e nada do meu filho melhorar,” desabafou Ana, expressando sua angústia e o sentimento de abandono.
Transferência e diagnóstico final
Pela quarta vez, na manhã de segunda-feira, Antony foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a Santa Casa, onde finalmente recebeu atendimento adequado e ficou em tratamento intensivo. Infelizmente, ele não resistiu aos problemas de saúde e faleceu. Os médicos informaram à mãe que a causa da morte foi desidratação de terceiro grau, intoxicação e choque hipovolêmico.
Esses termos médicos, como choque hipovolêmico — uma condição grave em que o corpo perde fluidos vitais — e toxicose, evidenciam a gravidade da situação que o pequeno enfrentou. O caso, que gerou enorme revolta na comunidade, está sendo investigado pela Polícia Civil.
Posições das unidades de saúde
Em resposta ao ocorrido, a Prefeitura de Araçatuba destacou que todos os procedimentos médicos realizados foram corretos e que a criança respondeu positivamente ao tratamento, apesar da evolução negativa após a saída da UBS. A administração municipal também expressou solidariedade à família enlutada.
Por outro lado, a Zatti Saúde, responsável pela UBS, afirmou que o atendimento seguiu as normas do Sistema Único de Saúde (SUS) e lamentou a morte de Antony, alegando que todas as diretrizes foram cumpridas durante o atendimento.
O peso da dor e a busca por justiça
Este incidente trágico não apenas expõe possíveis falhas no sistema de saúde, mas também destaca a dor profunda que os pais enfrentam ao perder um filho. Ana Vitória clama por justiça e por respostas: “Quero entender o que aconteceu, porque para mim, de verdade, foi negligência médica.”
A história de Antony Gabriel Santos é um lembrete doloroso sobre a necessidade de um atendimento de saúde de qualidade, principalmente para as crianças, que são as mais vulneráveis. As investigações sobre o caso continuam, e a comunidade aguarda respostas que possam proporcionar algum tipo de alívio para a dor da família.
Com o aumento da demanda por leitos pediátricos na região, a Santa Casa de Araçatuba, onde Antony foi internado, já se depara com uma situação alarmante, apresentando dez leitos pediátricos lotados, fruto do aumento de síndromes respiratórias.
Os casos como o de Antony trazem à tona uma urgência de melhorar a assistência médica e garantir que nenhumas outras famílias passem pela mesma dor e luto.