O Barcelona poderia ter motivos de sobra para começar a temporada 2025/2026 com otimismo e até euforia. Afinal de contas, o clube vem de um título de La Liga e quase chegou à primeira final de Champions League em uma década. Fez isso com o melhor ataque da Europa, liderado pela sensação adolescente Lamine Yamal e sob a tutela do estrategista alemão Hansi Flick. Contudo, a expectativa pela excelente campanha vem ofuscada mais uma vez por turbulências fora de campo, que colocam o clube em uma situação delicada.
A crise financeira e os atrasos na reforma
Além dos problemas financeiros que se tornaram rotina no dia a dia do clube, este ano entrou na equação o atraso nas obras de renovação do Camp Nou. As polêmicas começaram já na licitação, em 2023. O contrato foi vencido pela empreiteira turca Limak, que desembarcou na Catalunha sem ter experiência prévia em reformas de estádio. A Limak trouxe consigo um histórico de acusações de corrupção, crimes ambientais e condições precárias de trabalho na Turquia.
A oposição acusou a diretoria de Joan Laporta, atual presidente do clube, de relevar os critérios da licitação, que exigiam experiência em obras esportivas. A decisão controversa foi impulsionada pela oferta mais baixa da Limak, que se mostrou atraente para um Barcelona endividado até o pescoço em decorrência de uma má gestão da folha salarial, agravada pela pandemia.
A empresa prometeu entregar o estádio com 66% da capacidade, algo em torno de 65 mil torcedores, já em novembro de 2024. Contudo, a realidade nove meses depois do prazo estabelecido é bem diferente e preocupante.
Desespero para reabrir o Camp Nou
Atualmente, o Barcelona tenta desesperadamente conseguir uma licença da prefeitura para reabrir o estádio no fim de setembro. As propostas incluem um retorno gradual de público, começando com 27 mil torcedores e, posteriormente, 45 mil, quando uma das arquibancadas laterais estiver concluída. No entanto, a situação do canteiro de obras não é animadora: o Camp Nou atualmente se assemelha a um emaranhado de metais, com uma estrutura que ainda está longe de ser finalizada.
A ansiedade da diretoria é compreensível. No Estádio Olímpico de Montjuïc, reconstruído em 1989 para os Jogos Olímpicos de 1992 e utilizado na última temporada pelo clube, o Barcelona registrou as piores médias de público de sua história como mandante. Embora o local seja icônico e carregue a memória da Olimpíada, sua infraestrutura não é adequada para grandes eventos, e o acesso é complicado, localizado no alto de uma montanha, o que compromete a experiência dos torcedores.
Necessidade de adiar os jogos em casa
Diante desse cenário, o clube tem buscado negociar com La Liga e a UEFA para adiar sua estreia em casa tanto no Campeonato Espanhol quanto na Champions League. O Barcelona chegou até mesmo a solicitar uma exceção à regra da primeira divisão, que exige que um estádio tenha capacidade para ao menos 15 mil torcedores, permitindo que o time jogue no Johan Cruyff, no CT de Sant Joan Despí.
Se La Liga aceitar, o Barcelona faria sua estreia em casa em um jogo contra o Valencia, diante de apenas 6 mil torcedores. Essa realidade é um reflexo distante do que a equipe blaugrana costumava viver. Enquanto o sonho de um Camp Nou novamente repleto de torcedores parece distante, o Barcelona enfrenta o início da temporada como um clube sem casa. A situação é um prenúncio de grandes desafios financeiros e esportivos para a diretoria e os torcedores, que esperam ansiosos por uma solução.
Com as obras atrasadas e a identidade do clube em jogo, essa temporada pode se tornar um período de profundas reavaliações e decisões críticas que moldarão o futuro do Barcelona. O desafio é imenso, e a esperança de dias melhores continua sendo um bálsamo no coração dos torcedores que anseiam por um retorno triunfante ao seu lar.