O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas “substanciais” sobre países que adotarem impostos digitais, poucos dias após uma reunião com Mark Zuckerberg na Casa Branca, onde discutiram a questão. A declaração foi feita na última segunda-feira, em meio a um cenário de tensão comercial internacional envolvendo a tecnologia americana.
Disputa por impostos digitais e influência de Zuckerberg
Durante o encontro com Zuckerberg no final da semana passada, Trump e o fundador do Facebook discutiram a ameaça representada pelos impostos sobre serviços digitais, que são cobrados sobre a receita de empresas de tecnologia obtida de usuários em determinados países. Segundo pessoas próximas, o CEO da Meta visitou Trump em uma reunião privada e discutiram como esses impostos impactam o setor.
A Meta gera a maior parte de sua receita com publicidade no Instagram, Facebook e WhatsApp. Dias depois, Trump afirmou que as taxas e regulações relacionadas prejudicam a tecnologia americana e favorecem empresas chinesas, como as do grupo Alibaba. “Os impostos digitais e regulações discriminam nossas companhias de tecnologia e dão ‘carta branca’ às maiores empresas da China”, disse o presidente.
Resposta dos EUA e ameaças tarifárias
Trump anunciou que colocará “todos os países que impõem tais impostos” em alerta, prometendo tarifas e restrições à exportação de semicondutores dos EUA, caso as ações discriminatórias não sejam retiradas. “Eu vou enfrentar os países que atacam nossas incríveis empresas de tecnologia americanas”, afirmou em sua rede social, a Truth Social.
A medida reacende uma longa disputa comercial entre os EUA e parceiros como União Europeia, França, Itália, Espanha e Reino Unido, que já vêm cobrando impostos digitais. Segundo o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, a administração americana já levantou essas preocupações em negociações internacionais, buscando evitar que empresas americanas sejam prejudicadas por regulações injustas.
Reaproximação de Zuckerberg e Trump
Desde o retorno de Trump ao poder, Zuckerberg tem buscado se reaproximar do presidente, após uma fase de confrontos. A aproximação incluiu visitas à Casa Branca, ao resort Mar-a-Lago, na Flórida, além de uma contribuição de US$ 1 milhão da Meta para a posse de Trump, e mudanças nas políticas internas da empresa.
Mark Zuckerberg também intensificou sua presença em Washington, adquirindo residências próximas ao Observatório Naval e trazendo aliados de Trump para cargos na Meta. Recentemente, ambos discutiram temas como inteligência artificial, regulação europeia das big techs e planos de infraestrutura da Meta nos EUA, incluindo um centro de dados na Louisiana, avaliado em US$ 50 bilhões.
Impactos e reações
Analistas avaliam que as declarações de Trump reforçam uma política protecionista e de disputa por hegemonia no setor de tecnologia. Segundo especialistas, a tentativa de impor tarifas e restrições faz parte de uma estratégia de pressionar países e empresas estrangeiras a rever suas regulações, sob o argumento de proteger a tecnologia americana.
O assunto segue na agenda do governo americano, que continuará negociando com parceiros internacionais para evitar que os impostos digitais prejudiquem empresas nacionais e ahead a influência global dos EUA no setor de tecnologia.
Para mais detalhes, acesse a fonte da Globo.