Brasil, 29 de agosto de 2025
BroadCast DO POVO. Serviço de notícias para veículos de comunicação com disponibilzação de conteúdo.
Publicidade
Publicidade

Onze em cada 100 presos no RJ são acusados de violência doméstica

Estudo do Ministério Público revela preocupante índice de presos por violência doméstica no Rio de Janeiro.

Um levantamento inédito realizado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro revelou um dado alarmante: 11 em cada 100 presos no estado foram acusados de crimes de violência doméstica. A pesquisa, que analisa as audiências de custódia realizadas entre abril e junho de 2025, mostra que, dos 6.482 homens detidos no presídio de Benfica, 741 enfrentaram acusações pertinentes à violência contra mulheres e familiares. Este percentual significa que 11,43% dos detidos estiveram envolvidos em crimes dessa natureza.

A situação nas audiências de custódia

Durante o segundo trimestre de 2025, o sistema prisional do Rio de Janeiro registrou um total de 6.998 prisões, com 97% dos detidos sendo homens e 3% mulheres. Foram realizadas 6.056 audiências de custódia — que, desde 2015, permitem a apresentação rápida dos presos a um juiz. Essas audiências são fundamentais, pois garantem que os detidos tenham a chance de serem ouvidos, com a presença de representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública ou de advogados.

Nos casos de violência doméstica, a realidade é grave: 95,5% dos acusados tiveram a prisão mantida durante a audiência. Isso demonstra o comprometimento do sistema judicial em lidar com esse tipo de crime, considerado um dos mais sérios na sociedade brasileira. A decisão do juiz leva em conta não apenas a legalidade da prisão, mas também questões relacionadas à proteção das vítimas e à necessidade de continuidade da detenção.

Os números que preocupam

Outro dado relevante do estudo do Ministério Público é a alta taxa de manutenção das prisões: em 78% dos casos analisados, as detenções foram mantidas. Além disso, o relato de casos de violência praticados por agentes do Estado também chama atenção. Durante as audiências, 439 presos (equivalente a 6,2% do total) relataram ter sofrido agressões dos policiais durante a abordagem. Isso sugere a necessidade de uma revisão nas práticas de detenção e no tratamento dos presos, principalmente no que diz respeito a garantias dos direitos humanos.

Os desafios do sistema prisional

A situação das prisões no Rio de Janeiro levanta discussões sobre a eficácia e a humanização do sistema prisional. As audiências de custódia são uma ferramenta importante de proteção das garantias legais dos detentos, mas é preciso refletir sobre a acolhida das denúncias de violência durante as prisões. Além disso, o alto índice de detenções relacionadas à violência doméstica aponta para uma questão social profundamente enraizada e a urgência de estratégias de prevenção e proteção às vítimas.

O fato de que a maioria dos detidos por violência doméstica tenha suas prisões mantidas reforça a seriedade do problema. É fundamental que o sistema de justiça continue a dar resposta a essas denúncias e a trabalhar para reduzir a impunidade, promovendo um ambiente mais seguro e justo para as mulheres e demais vítimas de violência.

Conclusão

O levantamento do Ministério Público do Rio de Janeiro é um indicativo claro de que a sociedade ainda enfrenta grandes desafios no combate à violência doméstica. Com 11% dos presos acusados de crimes dessa natureza, a realidade exige não apenas ações efetivas de segurança pública, mas também uma mudança cultural que reforce o respeito e a proteção às vítimas. Assim, é responsabilidade de todos — instituições, famílias e a sociedade como um todo — se mobilizarem para que esses índices diminuam e para que a violência doméstica seja efetivamente combatida.

PUBLICIDADE

Institucional

Anunciantes