O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender, nesta quinta-feira, o julgamento do núcleo central de réus da ação penal relacionada à trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Em pronunciamento durante a cerimônia de posse de novos diretores de agências reguladoras, Lula afirmou que se o ataque ao Capitólio americano em janeiro de 2021 tivesse ocorrido no Brasil, o ex-presidente Donald Trump seria réu na Justiça brasileira.
O discurso de Lula e suas críticas ao sistema de justiça
Lula discursou no Palácio do Planalto, enfatizando a importância do julgamento dos atos que ocorreram em 8 de janeiro, data em que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram a sede do governo. Ele mencionou diversas evidências de tentativa de desestabilização democrática, como a bomba encontrada no aeroporto de Brasília em dezembro de 2022 e documentos que incentivavam ameaças de morte a ele, ao vice-presidente Geraldo Alckmin e ao ministro Alexandre de Moraes.
“Esse julgamento vai se dar com base nos atos apurados. Todos sabem o que aconteceu. Nós sabemos quem delatou e quem acusou. É isso que será julgado”, declarou Lula, deixando claro que a responsabilidade dos atos e a necessidade de responsabilização devem ser tratadas com seriedade no Brasil.
Comentários sobre Donald Trump e suas políticas
Em seu discurso, Lula também se dirigiu diretamente a Donald Trump, ressaltando a diferença entre os dois países. “Eu disse ao presidente Trump que, se tivesse ocorrido no Brasil o que aconteceu no Capitólio, ele também estaria sendo julgado aqui. Nós não somos tão grandes ou tão ricos, mas aprendemos que somos um povo orgulhoso. Quem manda no Brasil é o povo brasileiro”, afirmou.
O presidente brasileiro reafirmou que está aberto a negociações comerciais com os Estados Unidos, especialmente para resolver o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros imposto pelo governo Trump, que chegou a 50%. Lula criticou a dificuldade de comunicação com os interlocutores americanos, mencionando que até agora não conseguiu estabelecer diálogos produtivos durante as tentativas de aproximação.
A importância do multilateralismo nas relações internacionais
Além disso, Lula enfatizou a posição do Brasil em defesa do multilateralismo nas relações internacionais. Ele alertou contra acordos leoninos que represam países menores em desvantagem nas negociações. “Não permita que um país menor tenha que se sentar à mesa com o governo americano sem condições iguais de negociação”, enfatizou o presidente, sublinhando que essa desigualdade pode prejudicar a composição de acordos que deveriam beneficiar ambas as partes.
Lula criticou a postura americana de negociar individualmente com países, ressaltando como isso pode dificultar a convivência pacífica e proveitosa entre nações, uma vez que o multilateralismo foi estabelecido após a Segunda Guerra Mundial como um meio de garantir melhores acordos e respeito mútuo.
Posse de novos diretores de agências reguladoras
Durante a mesma cerimônia, foram empossados os diretores e presidentes de 13 agências reguladoras e autarquias, incluindo a Anac (Aviação Civil), ANA (Águas), ANTT (Transportes Terrestres), ANS (Saúde Suplementar), ANP (Petróleo), Anvisa (Vigilância Sanitária), Aneel (Energia Elétrica), Antaq (Transportes Aquaviários), ANM (Mineração) e ANPD (Proteção de Dados). Essas nomeações, que estavam retidas por meses pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foram finalmente destravadas, permitindo uma nova fase nas agências reguladoras.
Essa posse simboliza um avanço significativo para o governo Lula, que busca reestruturar as agências e retomar um foco nos interesses públicos, fortalecendo a regulação e o controle sobre setores essenciais da economia brasileira.
Lula encerrou seu discurso lembrando da importância de construir um Brasil forte, que defendesse seus interesses e promovesse desenvolvimento social e econômico, solidificando a posição do país no cenário global.