A governadora do Federal Reserve (Fed), Lisa Cook, entrou nesta quarta-feira (28) com uma ação na Justiça americana para bloquear a tentativa de Donald Trump de demiti-la, alegando que a acusação de fraude imobiliária é baseada em um “erro burocrático” não intencional. Cook afirma que a ação de Trump não possui “justa causa” suficiente para sua remoção do banco central, cuja independência é garantida por mandatos fixos.
Controvérsia envolvendo acusação de fraude hipotecária
Trump alega que Cook cometeu fraude ao declarar residências em Michigan e na Geórgia como “residência principal” durante a obtenção de hipotecas em 2021, embora ainda não haja uma investigação formal. Os advogados de Cook defenderam que, se houve algum erro, ele não foi intencional nem prejudicial, configurando um padrão conhecido como materialidade.
Segundo a defesa, “a possibilidade de que Cook tenha rotulado erroneamente uma residência sem intenção ilícita não constitui ‘justa causa’ para sua remoção”, conforme petição encaminhada ao tribunal de Washington. Os advogados também enfatizaram que Trump e o promotor Bill Pulte “nem sequer alegaram oficialmente benefício ou intenção maliciosa por parte de Cook”.
Implicações políticas e legais do caso
A disputa reflete um momento de crescente confrontação entre a Casa Branca e o Fed, com Trump tentando exercer influência política na instituição. O presidente do Fed, Jerome Powell, que também enfrenta tentativas de remoção, tem resistido às pressões para reduzir taxas de juros, reforçando sua autonomia frente às ações de Trump.
Em sua ação, Cook argumenta ainda que Trump tentou demiti-la sem garantir o direito constitucional ao devido processo, além de afirmar que ela possui direito a uma audiência sob o regimento do Fed. Uma audiência judicial está marcada para esta quinta-feira (29), às 10h, no tribunal federal de Washington, onde a diretora busca uma ordem liminar contra a tentativa de demissão.
Reações e contexto político
Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento Habitacional (FHFA) e aliado de Trump, alegou que Cook agiu para obter condições de empréstimo mais favoráveis, encaminhando o caso às autoridades competentes. Em resposta, a equipe jurídica da diretora afirmou que não há evidências de que ela se beneficia ou tenha agido com intenção fraudulenta.
Cook também afirmou na petição que Trump a tentou demitir sem oportunidade de defesa, o que viola o devido processo legal. A ação representa uma escalada no confronto político entre o governo de Trump e o Federal Reserve, um episódio incomum na história da política monetária americana recente.
Perspectivas futuras e possíveis desdobramentos
A audiência judicial de amanhã será crucial para definir o futuro da disputa. Especialistas indicam que a decisão pode estabelecer um precedente importante na autonomia do Fed frente às tentativas de intervenção política. Além disso, o caso reforça o clima de tensão entre o executivo e o banco central, envolvendo questões de independência e influência política.
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