Brasil, 4 de fevereiro de 2026
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Alimentos ficam mais baratos e inflação registra queda em julho

Os preços de alimentos caíram pelo segundo mês consecutivo, com destaque para o café e a batata-inglesa. Entenda a deflação.

Em julho, dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o principal indicador da inflação no Brasil, mostraram que os preços dos alimentos tiveram uma queda significativa, marcando o segundo mês consecutivo de deflação. O café, por exemplo, apresentou uma diminuição de 10,1%, enquanto a batata-inglesa teve um recuo ainda mais acentuado, de 20,27%. Este movimento reflexivo nos preços pode impactar o poder de compra dos brasileiros e a economia de uma forma mais ampla.

Queda nos preços e influência sobre o IPCA

O índice de Alimentação e Bebidas, que representa a maior fatia na composição do IPCA, teve uma redução de 0,27% em julho, após uma diminuição de 0,18% em junho. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa queda foi impulsionada principalmente pela alimentação no domicílio, que também registrou uma queda expressiva de 0,69% no mesmo período. Essa tendência pode ser um alívio para os consumidores, que enfrentam um cenário de alta nos preços em anos anteriores.

Segundo análises, dos 160 subitens avaliados em alimentação no domicílio, quase 50% (78 produtos) apresentaram queda em seus preços entre junho e julho. Essa dinâmica de mercado reflete uma alteração na oferta e demanda, levando a uma pressão de preços mais baixa.

Impacto do IPCA e a expectativa futura

O IPCA é monitorado desde 1979 e serve de base para as decisões do Banco Central quanto à taxa básica de juros, a Selic. Este índice mede a variação mensal dos preços de uma cesta de produtos e serviços que incluem transporte, alimentação, habitação, saúde, educação, entre outros. A expectativa é que o IPCA referente a agosto seja divulgado em 10 de setembro, e as análises já começam a se intensificar na busca por tendências.

O preço do café e o contexto global

O café moído, como exemplo, viu seu preço cair 1,01% em julho, marcando o fim de um ciclo de 18 aumentos consecutivos. Essa queda é significativa, considerando que a última redução foi registrada em dezembro de 2023, quando o preço recuou 0,37%. Esse fenômeno pode ser atribuído a diversos fatores, incluindo condições climáticas favoráveis e uma supersafra de diversos produtos.

O que dizem os especialistas sobre a deflação dos alimentos

Economistas consultados pelo Metrópoles afirmam que as bons condições climáticas, a desvalorização do dólar e a superoferta de produtos agraciaram o cenário favorável para a queda nos preços dos alimentos no Brasil. Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), explicou que a queda do preço dos produtos alimentícios no mercado interno está relacionada à alta oferta, o que gera uma pressão para baixo nos preços.

“Todo produto que é negociado no mercado internacional, precificado em dólar, tem seu preço afetado no Brasil. Em reais, esse produto acaba ficando mais barato”, explica.

Ele também observou que essa recente deflação não está diretamente ligada ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre algumas exportações brasileiras, afirmando que as variáveis como dólar e clima têm maior influência sobre os preços atuais. O impacto das tarifas será mais visível em longo prazo, modificando cadeias globais e afetando a forma como certos produtos alimentícios são negociados.

Para os próximos meses, o economista projeta que a inflação dos alimentos pode voltar a subir, mas de forma mais controlada do que em 2024. “Estamos em um período com boas safras, o que deve amortecer o impacto”, conclui.

A professora de economia Cristina Helena Pinto de Mello, da PUC-SP, complementa que o Brasil manteve uma ampla lista de isenções ao tarifaço, incluindo cerca de 700 produtos, o que pode continuar a beneficiar os consumidores no curto prazo.

Portanto, ao acompanharmos os desdobramentos do IPCA e os fatores que influenciam os preços dos alimentos, fica evidente que as dinâmicas de mercado, as condições climáticas e o papel das tarifas internacionais continuam a moldar a economia brasileira. A queda nos preços dos alimentos traz um alento aos consumidores, mas suas consequências a longo prazo ainda devem ser monitoradas com atenção.

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